A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 27/07/2021
Na série “O Gambito da Rainha”, a protagonista Beth Harmon vive em uma realidade patriarcal entre os anos 50 e 70, destacando os estereótipos impostos à personagem. Ao demostrar interesse pelo xadrez, seus pais adotivos sugerem algo “mais para meninas”. Fora da ficção, esses rótulos contribuem para a desvalorização do esporte feminino, que ainda recebe menos visibilidade nas mídias, incentivos, patrocínios e apoio. Diante dessa perspectiva, a desigualdade de gênero e a falta de investimento agravam a problemática.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a diferença de gênero como um problema. Sob esse viés, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres brasileiras ganham menos que os homens em todas as ocupações selecionadas no estudo, as trabalhadoras ganham em média 20,5% menos que os homens no país. Nessa lógica, esse desequilíbrio encontra-se enraizado na sociedade devido ao machismo e patriarcado, que contribuem para o preconceito e a masculinização do esporte. Desse modo, as mulheres sofrem julgamentos e recebem questionamento sobre a sua sexualidade e passam por agressões verbas e físicas. Logo, é inadmissível que esse cenário desigual continue a afastar o interesse das meninas pelo esporte, que por sua vez, torna mais difícil o desenvolvimento deste no país.
Ademais, é fundamental apontar a ausência de investimentos como impulsionador da questão no Brasil. Nesse âmbito, a Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, estabelece que o esporte é um direito de todos. Nessa linha de raciocínio, é função do Estado assegurar a universalização desse privilégio para todas as mulheres. No entanto, a escassez de capital e incentivo torna essa prática um sonho distante na vida de meninas, que não possuem a oportunidade de se desenvolverem nesse meio esportivo, resultando em uma tendência de menor representatividade feminina no esporte.
Dessa forma, medidas são necessárias para combater esse impasse. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, realizar um programa de incentivo ao esporte feminino nas escolas públicas e particulares, por meio de verbas públicas, com o objetivo de converter essa atividade em algo democrático e igualitário, além de abrir esse projeto para as empresas privadas que poderão investir e auxiliar na proposta, a fim de valorizar o esporte feminino no Brasil. Assim, torna-se possível uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.