A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 24/09/2021
É de conhecimento geral que o cenário do esporte feminino no Brasil não é semelhante ao masculino. Embora seja evidente que ambas as ligas deveriam receber os mesmos incentivos, pode-se notar que enquanto o primeiro atua sob uma luz baixa, o segundo é amplamente debatido, financiado e televisionado. Ideais pregados durante séculos fizeram com que se tornasse cultural o conceito de que homens são capazes de performar qualquer atividade física, enquanto mulheres, não. Isso levou a uma falta de reconhecimento para com suas disputas o que, consequentemente, não ajudou na busca por patrocínio. Sendo assim, é preciso avaliar e solucionar essa problemática.
Em primeiro lugar, se faz evidente que as conquistas das atletas brasileiras não são tratadas com tanto apreço quanto as do gênero oposto. Por mais que possuam habilidades equiparáveis, as mulheres nunca são credibilizadas como merecem, o que traz, junto ao desânimo, uma ausência de novos talentos, visto que a desvalorização das profissões esportivas costuma espantar aqueles que poderiam ser futuros adeptos. Em 2017, o site Sporting Intelligence revelou que ao passo que os times de basquete masculinos conseguem receber um salário equivalente a, no máximo, 25 milhões de dólares, os femininos só alcançam até 105 mil, uma estatística que mostra a falta de aclamação citada. Dito isso, é certo que a desigualdade possui forte presença dentro do meio atlético.
Além disso, vale salientar que, devido à dificuldade em encontrar o apoio da população, ocasionada pela falta de divulgação da imprensa, o interesse das grandes marcas e de órgãos públicos em investir nessas profissionais é escasso, visto que esses buscam por visibilidade, algo que é constantemente as negado. Após as Olimpíadas de 2021, a skatista Rayssa Leal recusou-se a tirar fotos com os políticos da sua cidade, alegando que nunca haviam a ajudado a crescer no esporte. Ao contrário dela, que conseguiu avançar sem esse auxílio financeiro, muitas jovens são impedidas de ingressar em carreiras desportivas por não terem condições de avançar sem ajuda financeira. Desse modo, se torna claro que o menosprezo midiático possui relação direta com a falta de incentivos fiscais às atletas.
Assim, é aparente que medidas precisam ser tomadas para a resolução do problema. À mídia, cabe a divulgação das desigualdades encontradas dentro do cenário esportivo, com campanhas publicitárias que mostrem a gravidade da desvalorização das equipes femininas, enaltecendo suas vitórias previamente ignoradas pelo público, chamando a atenção do governo, de forma que o povo seja apresentado a uma versão real da situação e que melhorias sejam cobradas das autoridades, a fim de que o atletismo se torne um ideal igualitário e respeitoso para com todos. Somente compreendendo esses princípios será possível valorizar o esporte feminino no Brasil.