A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 23/09/2021

Para Boaventura de Sousa Santos, é preciso lutar pela igualdade sempre que as diferenças forem motivo de discriminação. Nesse sentido, destaca-se a importância da valorização do esporte feminino, uma vez que o preconceito e a falta de visibilidade para esse gênero no desporte impedem que muitas mulheres desfrutem dos benefícios da prática. Faz-se necessário, então, debater sobre as possíveis formas de reverter esse cenário e garantir o lugar das mulheres no mundo esportivo.

Inicialmente, é imprescindível discutir as raízes da desvalorização do esporte feminino. De fato, historicamente as mulheres ocupam um lugar de submissão, no qual sua função era reduzida ao ambiente doméstico, o que a tirava da vida em sociedade, não sendo diferente em relação aos esportes. Ademais, segundo Pierre Bordieu em seu conceito de violência simbólica, a violência manifesta-se não necessariamente em agressões físicas ou verbais, mas em qualquer comportamento que exclua um certo grupo. Desse modo, os reflexos dessa cultura machista e patriarcal manifesta-se na exclusão e preconceito contra mulher nos esportes, o que, apesar de estar sendo lentamente superado, ainda existe, impedindo que muitas mulheres reforcem sua cidadania por meio do desporto, e não deixando de ser um tipo de violência.

Além disso, a mídia colabora para a permanência dessa cultura. De acordo com Adorno, a mídia força estereótipos que tiram a liberdade de pensamento do espectador. No contexto do esporte feminino, percebe-se a falta de visibilidade pela mídia aos desportos de atletas mulheres em detrimento aos de homens, fato que reforça a ideia de que a prática esportiva é uma atividade exclusivamente masculina. Com isso, desencoraja-se o público feminino não só da apreciação dos esportes, mas também de sua prática, impedindo que essa camada desfrute dos benefícios à saúde, autoestima e autoconfiança proporcionadas pela atividade, os quais são essenciais para a manutenção da qualidade de vida do indivíduo.

Portanto, urgem medidas para garantir a valorização do esporte feminino no Brasil. Primeiro, o Ministério da Cidadania, em parceria com as escolas e com objetivo de incentivar o esporte feminino desde a infância, deve criar um projeto que financie aulas de diversas modalidades esportivas, as quais serão realizadas no contraturno das atividades escolares e serão exclusivas às meninas. Com essa medida, espera-se que elas cresçam inseridas no mundo do esporte com a consciência de que são tão capazes quanto seus colegas do sexo masculino, o que irá auxiliar na mudança da cultura masculina no esporte, valorizando a figura da mulher nesse contexto.