A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 29/10/2021
A Constituição Federal de 1988 garante a todos os cidadãos o direito a igualdade social. Contudo, ao analisar o esporte feminino no Brasil, percebe-se que não é valorizado comparado ao masculino. Esse cenário acontece devido ao preconceito enraizado e a interesses empresariais. Desse modo, faz-se necessário a análise desses fatores.
Diante disso, é válido destacar o preconceito social como um dos causadores do problema. Nesse sentido, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, defende a ideia da modernidade líquida, característica da pós-modernidade, de que há uma queda nas atitudes éticas pela fluidez dos valores. Dessa forma, nota-se que os valores sociais estão deturpados, pela presença do preconceito contra a atividade esportiva feminina. Isso advém de pensamentos machistas que perpetua deste o governo Vargas, o qual justificava o impedimento de mulheres em competições esportivas que não fossem adequadas para sua natureza. Essa ideia absurda, infelizmente, ainda faz muitas pessoas acreditarem que o esporte, a exemplo do futebol, seja exclusivo dos homens, o que acaba desestimulando as mulheres a praticarem essa modalidade.
Outrossim, interesses comerciais dificultam a ascensão do esporte feminino no país. Seguindo esse raciocínio, de acordo com o pensador francês Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para ser ferramenta de democracia, não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica. Essa visão, embora certa, não é efetivada na realidade, pois o esporte, como instrumento democrático, é tratado com seletividade, uma vez que as empresas optam por investir em modalidades masculinas, nos quais há maior visibilidade comparado ao feminino. Assim, a falta de apoio e incentivo deixam as atletas desamparadas, o que resulta na desvalorização do esporte feminino no Brasil.
Destarte, faz-se urgente a reversão desse cenário. Logo, cabe ao Governo Federal, na figura do Ministério da cidadania, -órgão responsável pelo desenvolvimento social-, destinar maiores investimentos ao esporte feminino no país. Essa ação será realizada por meio de parcerias público-privadas, em que o estado será responsável por regular, de forma igualitária, os investimentos privados tanto para o feminino, quanto para o masculino, a fim de alavancar o esporte, em geral. Sendo assim, o direito a igualdade social, descrita na Constituição, será concretizado.