A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 09/11/2021
A música Geni e o Zepelim do compositor Chico Buarque evidencia como mulheres só são reconhecidas quando atendem as aspirções coletivas. Fazendo um paralelo, no que tange a valorização do esporte feminino no Brasil, isso é facilmente percebido. Pois, o machismo propagado historicamente dentro dessa área choca-se diretamente com a recente geração de lucro -prezado e aspirado na hodierna sociedade capitalista- dessa variante atlética. Essa contrariedade de valores, em relação ao papel feminino na hierarquia social, impede que tal modalidade tenha a devida atenção e valorização.
De início é importante pontuar que a falsa alegação de hipersensibilidade das mulheres foi utilizada como motivo para a criminalização do futebol feminino no Brasil durante mais de quarenta anos, a partir do Governo do presidente Getúlio Vargas. No entanto, tal idéia preconceituosa era apenas um pretexto para manter a posição societária de submissão das cidadãs, que deveriam se encarregar das atividades domiciliares e do cuidado dos filhos, como expressa o livro “Mulheres Impedidas”, da escritora Giovana Capucim. Posto isso, é claro que a concepção popular foi e ainda é diretamente afetada pela perpetuação do machismo (inclusive no campo legal) dentro do âmbito esportivo, impedindo o devido apreciamento das cetegorias desportistas femininas.
Ademais, é válido ressaltar que a visibilidade do esporte mulheril vem crescendo paulativamente e, consequentemente os lucros gerados por ele, porém os investimentos não acompanham esse desenvolvimento de rentabilidade. Isso se reflete nos salários das atletas de futebol feminino dos Estados Unidos, que apesar de renderem mais financeiramente do que o time masculino no país, ganham quatro vezes menos, segundo dados da Federação Americana de Futebol. Logo, é evidente como o menosprezo das instituições esportivas públicas e dos patrocinadores não tem alguma correlação com o desempenho das profissionais mas sim com o reforço de estereótipos, o que dificulta o progresso adequado dessa qualidade atlética prejudicando portanto sua merecida apreciação.
Em suma, cabe ao Ministério da Educação, por meio da inserção curricular dos estudos de genêro na grade curricular das escolas públicas e privadas, promover a equidade de direitos entre os sexos e o rompimento de idéias infundadas a respeito das mulheres no senso comum. Além disso, é dever do Ministério da Cidadania, o qual englobou o antigo Ministério dos Esportes, desfeito pelo presidente Bolsonaro, elaborar um programa de amparo finaceiro a times nacionais femíneos como forma de reparação histórica, a ser estabelecido através de um projeto de lei enviado a Câmara dos Deputados. Destarte, o esporte femino no Brasil terá o enaltecimento apropriado.