A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 22/10/2021
Nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, a participação feminina chegou a 48% dos atletas, porcentagem alcançada pela primeira vez na história das Olimpíadas. Tal marco demonstra o aumento da valorização do esporte feminino. Contudo, mesmo que os números demonstrem crescimento, ainda existem empecilhos a serem vencidos, gerados pela sociedade patriarcal que promove a falta de remuneração e reconhecimento.
Nesse viés, convém ressaltar os prejuízos gerados para o esporte feminino brasileiro, pela sociedade de caráter machista. Sob tal ótica, uma filósofa francesa Simone de Beauvoir discute que ser mulher é uma construção social, ou seja, não é inerente da mulher gostar da cor rosa ou se dedicar unicamente a trabalhos domésticos - características associadas às mulheres -, mas é algo ensinado como regra para caracterizar o ser feminino. Tal pensamento questiona a ideia de que mulheres são incapazes ou inadequadas aos esportes, ideias essas sustentadas pelo patriarcalismo. Dessa maneira, percebe-se que o gênero feminino pode e se quiser, deve participar de competições esportivas, uma vez que as desculpas para a exclusão feminina não são físicas ou psicológicas, mas sim, construções sociais.
Consequentemente, é importante salientar a baixa visibilidade e valorização das atletas no Brasil. Por esse viés, a jogadora Marta mesmo tendo marcado mais gols pela seleção brasileira do que o célebre atleta Pelé, considerado o rei do futebol, não obtém a mesma visibilidade, apoio e remuneração que o jogador aclamado pela mídia. Tal fato, denuncia a desigualdade de gênero nos esportes, geradora não só de desvalorização, mas também de preconceito.
Portanto, a Secretaria Especial do Esporte gerida pelo Ministério da Cidadania deve romper com o pensamento patriarcal, por meio do envio de verbas às instituições esportivas para que financiem atletas femininas, e aos municípios para que promovam campeonatos femininos, geralmente inexistentes nas cidades, a fim de que as mulheres conseguiram obter auxílio e vencer o preconceito causado pelo machismo.