A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 15/10/2021

No filme ‘‘A menina de ouro’’, a personagem principal enfrenta obstáculos para conseguir atingir seu grande sonho: ser uma boxeadora, entretanto, precisa lidar com a falta de comida e dinheiro, assim, percebe que só irá vencer na vida com a ajuda do esporte e com a perseverança de não aceitar um ‘’não’’ como resposta. Próximo da ficção, mulheres que praticam esportes lidam diariamente com as heranças que as limitações históricas impostas a elas no ambiente esportivo deixaram, como, por exemplo: a feminilidade nos jogos e a falta de visibilidade.

Nesse sentido, destaca-se a regra imposta na Grécia antiga, na qual dizia que o esporte não era algo feminino, pois as deixariam com o corpo ‘‘masculinizado’’, assim, não iriam conseguir ter um melhor desempenho, devido ao seu físico. Por outro lado, mesmo que a imposição seja arcaica, tornou-se parte da cultura do preconceito contra a presença feminina nesse ambiente, logo, apesar do talento, dedicação em sair muitas vezes de vidas medíocres e paixão por treinar, ainda é irrelevante em comparação com o tratamento aos homens que buscam o mesmo objetivo. Desse modo, a questão da feminilização é evidente até mesmo nos uniformes, em que atletas alemães nas Olimpíadas de Tóquio de 2020, usaram roupas que cobrissem o corpo todo, em protesto contra a sexualização dos uniformes.

Além disso, há a falta de visibilidade que impedem jogadoras de serem patrocinadas ou reconhecidas, apesar de já ocorrer campanhas contra esse problema, como a Boticário que realizou mudanças na grade dos horários de seus colaboradores, a fim de que todos pudessem acompanhar os jogos femininos durante a competição em Tóquio. No entanto, ainda não é o bastante, pois há estigmas de que os jogos são ruins, faltam técnicas, não há jogadoras boas o suficiente, porém, os próprios críticos ‘’esquecem’’ que para elas estarem na partida, é necessário enfrentar diversos obstáculos como a falta de apoio financeiro e oportunidades que muitas vezes são diferentes quando são com homens.

Diante dos fatos expostos, urge que o Ministério do Esporte, junto a agências de publicidade, por meio de verbas governamentais, crie campanhas com o objetivo de incentivar e influenciar mulheres, assim vincular nas mídias sociais uma parceria entre o Ministério e a ‘‘fadinha do skate’’, Rayssa Leal de apenas 13 anos que ganhou prata em Tóquio, logo, levaria o público alvo a praticar seus jogos preferidos. Ademais, crie times e ofereça suporte (pelo menos, o básico) como chuteira, caneleira, capacete, para que todas possam ter oportunidade de participar e ter segurança. Logo, as dificuldades serão reduzidas e cada vez mais distante da proximidade com a personagem do filme ‘‘Menina de Ouro’’, já que na realidade, vão ter mais oportunidades e apoio que cada uma precisa para conquistar  seu sonho.