A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 22/10/2021

Nas Olimpíadas de Tóquio 2021, houve a revelação esportiva da atleta brasileira Rayssa Leal, de apenas 13 anos, que conseguiu ser vice-campeã da sua modalidade. Analongamente, no cotidiano brasileiro, motivada por fatores diversos, sobretudo, pela negligência estatal e pelo preconceito social, a desvalorização feminina na prática esportiva faz com que nem todas as mulheres tenham apoio para alcançar tal grandiosidade esportiva como Rayssa. Logo, medidas são necessárias para resolver essa questão social.

A priori, é válido pontuar que, de acordo com o sociólogo polonês Zigmund Bauman, a sociedade atual é representada pela Modernidade Líquida que é caracterizada pela queda de atitudes éticas pela fluidez de valores, aumentando o individualismo. Nesse contexto, a ideia supracitada se aplica ao sujeito que, estando imerso nesse panorama líquido, acaba perpetuando um preconceito social no ambiente esportivo, de modo que valoriza mais as habilidades esportivas masculinas do que femininas, em virtude da ideia de superioridade social. Em vista disso, os desafios para a luta pela valorização feminina na prática esportiva estão presentes na estruturação preconceituosa da sociedade, bem como em seu viés individualista, contribuindo para o aumento de desigualdade social.

Outrossim, é notório que somente na edição olímpica de 2018 o número de atletas masculinos era o mesmo que o feminino, demonstrando, assim, que o Estado não valoriza de maneira igualitária essas práticas no país. Embora o governo invista  em programas esportivos e esses não devem ser mitigados, parcela significativa da população não tem garantia de direitos básicos intituidos na Constituição de 1988, como esporte e lazer de qualidade e de forma igualitária. Desse modo, por falta de valorização e investimentos de qualidade, muitas mulheres não têm acesso a seus direitos e valores na prática e, consequentemente, têm menos oportunidade para ingressarem no ambiente esportivo, o que acarreta o número de atletas mulheres nas edições olímpicas inabitual.

Em suma, é imprescindível a valorização feminina nas práticas esportivas do Brasil. Para que isso ocorra, cabe ao Ministério de Desenvolvimento Social buscar reconhecimento e igualdade entre generos nas práticas esportivas do país, por meio de parcerias com instituições privadas da área esportiva, que patrocinem os atletas, tanto adultas quanto juvenis e, especificamente, as mulheres de zonas periféricas que são marginalizadas no contexto esportivo, a fim de que esses reconheçam o valor igualitário no ambiente esportivo brasileiro e tenham reconhecimento para representarem o Brasil em qualquer tipo de jogos. Poder-se-á, assim, visar que a Constituição seja colocada em prática, e a oportunidade de atletas alcançarem a grandiosidade esportiva de Rayssa Leal seja, portanto, maior.