A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 04/11/2021

O filósofo Immanuel Kant, ao conceituar os imperativos categóricos, afirmou que todas as pessoas devem ser valorizadas e tratadas com dignidade. Entretanto, percebe-se que, no Brasil, há uma clara deturpação da ideia defendida pelo intelectual, haja vista a realidade de desvalorização massiva sofrida pelas mulheres no esporte, o que evidencia a segregação de gênero existente em um ambiente predominantemente masculino. Com isso, em virtude da insuficiência estatal e da mentalidade social distorcida, emerge um problema complexo, sendo substancial combatê-lo.

Em primeiro plano, a falta de atuação governamental efetiva fomenta a pouca importância dada ao esporte feminino brasileiro. A esse respeito, o escritor Gilberto Dimenstein, na obra “O cidadão de papel”, tece uma crítica à pouca verificação das normas na prática, visto que muitas são invisibilizadas e permanecem apenas no papel. Sob essa análise, evidencia-se que a condição banalizada presente na vida da massa feminina esportiva é um reflexo da inoperância do governo, o qual, muitas vezes,  pouco busca promover a dimensão de valor da mulher em atividades associadas ao público masculino, camuflando as desigualdades presentes nessa questão. Diante disso, esse cenário pode ser verificado, seja pela carência de equiparação salarial entre homens e mulheres no campo esportivo, apesar do destaque produtivo destas, seja pela escassez de programas estatais de incentivo feminino na vida esportiva, como promovendo auxílios financeiros e o financiamento da preparação atlética dessas pessoas vitimizadas. Logo, fica clara a necessidade de atuação do governo nessa situação desigual.

Além disso, o pensamento coletivo retrógrado contorna a problemática. Nesse contexto, o filósofo Arthur Sopenhauer defende que o campo de visão de uma pessoa determina o seu entendimento sobre o mundo. Nessa lógica, a continuação da visão de preconceito e inferioridade acerca da mulher é materializada pela população, a qual é influenciada a pensar que essas pessoas não podem praticar certas modalidades, como o esporte. Tal quadro é comprovado, por exemplo, pela influência de uma mídia machista que deprecia as conquistas femininas nos jogos brasileiros com intensos comentários discriminatórios em redes sociais, como o Istagram, de modo a construir um ambiente que desvaloriza a mulher esportiva. Dessa maneira, convém alterar a forma de pensar da sociedade.

Portanto, a fim de valorizar a massa feminina no esporte, cabe ao Ministério da Cidadania formular um  programa que promova a inclusão das mulheres nos jogos, o qual precisa fornecer incentivos e cotas para esse gênero,  por meio da destinação dessa estratégia na Base de Diretrizes Orçamentárias. Ademais, esse programa deve realizar atividades de reflexão social, como debates, quebrando a mentalidade estabelecida. Assim, a ideia de Kant poderá ser verificada no Brasil.