A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 06/11/2021
Os Jogos Olímpicos da Era Moderna tiveram sua primeira edição em 1896 com cerca de 241 atletas competidores e dentre esses, nenhuma mulher. Isso porque, nessa edição as mulheres foram proibidas de participar já que acreditava-se que elas não tinham preparo físico adequado. A partir da edição seguinte, de 1900, essa proibição foi revogada, todavia, mesmo com participação já permitida, o esporte feminino ainda enfrenta muitos obstáculos na tentativa de conseguir valorização equiparada a que é dada ao esporte masculino, principalmente em razão do machismo que é refletido na associação da mulher a um sexo frágil e, sobretudo, na objetificação de corpos femininos no esporte, além de poucos investimentos e baixa visibilidade ao talento de mulheres atletas.
A representação universalizada de mulheres como um sexo frágil e delicado é herança de um passado patriarcal em que a feminilidade esteve associada a um padrão estético. O machismo desse pensamento, que ainda é comum, traz consequências em todas as esferas da vida de mulheres e no esporte não é diferente. Inclusive, algumas regras válidas para elas ainda são retrógradas e desrespeitosas, um exemplo disso é que em muitas modalidades femininas não existe a liberdade de escolha da vestimenta para a prática do esporte, não sendo incomum a obrigatoriedade do uso de bíquini, o que mesmo indiretamente destaca o corpo feminino objetificando-o em detrimento de suas habilidades de atleta.
Outrossim, dados divulgados pelo O Globo em 2019 demonstram que no orçamento dos clubes brasileiros menos de 1% é destinado ao esporte feminino, evidenciando a desvalorização desse setor. O baixo investimento é causa e também consequência da pouca visibilidade que as mídias dão para o atletismo feminino, afetando inclusive no valor salarial, um exemplo são dados de 2016 da revista Forbes em que é mostrado que a atleta Marta da seleção brasileira feminina eleita 6 vezes como a melhor do mundo mas que recebe apenas 1% do salário de Neymar Jr, jogador da seleção masculina com menos tempo de carreira que Marta.
Esse cenário necessita de mudanças. O ministério da Cidadania deve reestruturar o esporte feminino , tornando-o inclusivo e respeitoso para com as mulheres através de campanhas feitas com verbas destinada ao esporte, visando destacar o talento, além extinguir regras de vestimenta e outras que hiperssexualiza o corpo feminino. A Secretaria da Comunicação deve estrututar a mídia esportiva do Brasil de modo a valorizar mais o esporte feminino, com transmissão frequente de jogos femininos por meio da criação uma programação bem estabelecida. Com essas ações o esporte feminino será valorizado e irá atrair investimentos fazendo com que cada vez mais mulheres ocupem esse espaço.