A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 11/11/2021
A série “O Gambito da Rainha” conta a trajetória de “Beth Harmon”, uma jovem que tenta inserir-se no universo do xadrez. Porém, a personagem sofre diversas dificuldades, em grande parte relacionadas ao seu gênero, uma vez que há a falta de visibilidade relacionada a sua modalidade esportiva. Na realidade brasileira, vê-se que o esporte feminino é pouco valorizado, e, ao conectar à questão retratada na série, é notória a necessidade da visibilidade dessa prática, que provém de questões históricas e sociais. Desse modo, é necessário ir aos fatores que influenciam esse quadro.
Nesse sentido, é perceptível que o esporte no Brasil é historicamente desigual. Isso decorre desde o Período Imperial, no qual essa prática começou a ser desenvolvida no país através de modalidades trazidas por imigrantes, adaptando-se à configuração social nacional. Porém, tal configuração é extremamente segregadora, na qual apenas homens, brancos e ricos possuiam acesso às práticas esportivas, e minorias, como as mulheres, eram privadas disso. Tal situação permaneceu na realidade brasileira, cerceando até os dias atuais, contribuindo para uma histórica visão machista acerca do esporte, no qual a falta de mulheres em modalidades esportivas é naturalizada, assim gerando a escassa quantidade desse grupo, dificultando sua visibilidade.
Além disso, a falta de discussão acerca do problema na mídia nacional contribui para a desvalorização do exercício feminino. Isso acontece, pois a visão naturalizada de que a mulher não pertence ao esporte impede a quebra de tal idea, cabendo, assim, à mídia o trabalho de informar a população acerca da importância da visibilidade dessa modalidade. Tal ideia provém do pensamento dos filósofos Theodor Adorno e Max Horkheimer, os quais defendem que a mídia possui capacidade de moldar o pensamento do indivíduo, uma vez que exerce poder sobre o corpo social. Assim, os meios de comunicação influenciam a configuração dos ideais do povo, comprovando a ideia de que as plataformas midiáticas devem atentar-se ao esporte praticado por mulheres, com o intuito de trazer esse assunto à tona com o objetivo de diminuir tal desigualdade de gênero.
Portanto, é possível concluir que as práticas esportivas de modalidade feminina no Brasil são invisibilizadas pela sociedade em um âmbito histórico, e pela mídia num âmbito social. Assim, é necessário que o Ministério da Cidadania, juntamente a plataformas midiáticas, como a televisão, crie políticas que promovam a valorização de mulheres no esporte. Tal ação será feita por meio de projetos, como reportagens e programações na televisão aberta, a qual incluirá também a transmissão de jogos esportivos femininos em sua programação. Isso será feito com a finalidade de incentivar a valorização de tal prática, evitando situações como a retratada na personagem “Beth”.