A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 13/11/2021
Na Grécia Antiga, os Jogos Olímpicos eram eventos esportivos de integração social realizados somente pelos cidadãos, excluindo as mulheres dessas atividades. Apesar de que, hodiernamente, existam competições e equipes femininas de diversas modalidades de esporte, essa minoria ainda enfrenta diversas discriminações na sociedade, fator que contribui para o baixo investimento em suas práticas de exercícios. Dessa forma, torna-se necessário valorizar e incentivar as atletas, garantindo seu apoio e popularização dentro do coletivo.
Em primeira análise, destaca-se o preconceito de gênero como uma barreira para o reconhecimento do esporte feminino. Historicamente, as mulheres foram privadas dos espaços públicos e da cidadania - a exemplo da civilização grega na antiguidade -, impedindo sua projeção na sociedade, sendo reservadas à condição de cuidado com os afazeres domésticos. Assim, predominam discursos que excluem essa minoria das práticas esportivas, distanciando as mulheres de virtudes como força e resistência, características dessas atividades. Exemplo disso é a fala do presidente da República Jair Bolsonaro em 2021, o qual ridicularizou uma questão do ENEM que envolvia a desigualdade salarial entre os gêneros no futebol, menosprezando a vertente feminina.
Ademais, a ausência de recursos destinados para a prática desportiva pelas mulheres é um dos empecilhos para sua valorização. Embora o artigo 217 da Carta Magna defenda o dever estatal em fomentar as atividades esportivas tanto formais quanto informais, nota-se que o esporte feminino encontra-se desamparado nesse aspecto: segundo uma pesquisa de 2018 da ONU Mulheres, o salário anual do melhor jogador de futebol do mundo era o dobro do valor da remuneração de mais de 1500 das melhores atletas futebolísticas. Sob essa óptica, a desigualdade de investimentos para as esportistas prejudica seu desenvolvimento nas atividades e diminui a sua visibilidade no âmbito do esporte.
É urgente, portanto, que se abram caminhos para a apreciação das atividades físicas realizadas pelas mulheres, seja no âmbito educacional, seja no legal. Para isso, escolas e colégios devem estimular as alunas à realização de esportes desde a primeira infância, por meio da criação de torneios e de equipes femininas de diferentes modalidades - como voleibol, futebol, handebol e basquete -, a fim de superar discriminações de gênero e promover a visibilidade dessas práticas pelas mulheres. Outrossim, o Governo Federal precisa promover o estímulo fiscal de empresas que apoiem os esportes femininos, com o objetivo de aumentar tal valorização por outros agentes. Com essas medidas, distanciar-se-á do padrão preconceituoso histórico presente desde os povos gregos.