A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 15/11/2021

Stefan Zweig escreveu, em 1941, o livro “Brasil, um país do futuro”. Entretanto, hodiernamente, a pátria está muito longe de corresponder a tal imagem, uma vez que o esporte profissional feminino não é devidamente reconhecido na terra canarinha. Nesse contexto, a falta de enaltecimento é resultado da inércia governamental, além do pensamento retrógrado da população.

Diante disso, é válido destacar a inoperância estatal como acentuador da problemática.Nesse sentido, é importante trazer o discurso do sociólogo Zygmunt Bauman e sua teoria das instituições zumbis, na qual afirma que o Estado e a escola não cumprem com seus papéis sociais. Nessa perspectiva, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos -MMFDH- é falho ao não promover medidas que valorizem a prática esportiva profissional nas modalidades femininas, como a ausência de projetos e propagandas nesse intuito no país. Por conseguinte, a relevância das mulheres no esporte é extremamente baixa, por exemplo o pequeno número de público pagante nos jogos de futebol feminino - cerca de 300 pessoas por jogo, em contraste com o masculino que tem uma média de 22 mil- segundo dados da Confederação Brasileira de Futebol. Logo, medidas são necessárias para reverter esse cenário.

De modo complementar, outro impasse é a permanência do pensamento retrógrado da população. Sob esse viés, consoante o sociólogo Émile Durkheim, o fato social figura como uma maneira coletiva de agir e pensar. Desse modo, a teoria do pensador é observada no atual contexto brasileiro, visto que, uma geração ao crescer numa sociedade na qual a prática esportiva das moças era proibida até pouco tempo, tende a internalizar essa realidade como permanente, aceitável e cotidiana. Perpetua-se, então, a banalização social como outro entrave para o reconhecimento feminino no esporte.

Em síntese, nota-se que medidas são precisas na inaptidão dos administradores públicos e na forma de pensar dos indivíduos. Destarte, o MMFDH deve, por meio de parcerias com as instituições das principais modalidades brasileiras, investir na profissionalização do esporte feminino, com a finalidade de tornar mais valorizada a participação das mulheres no âmbito esportivo. Ademais, o Ministério da Educação -órgão responsável pelas diretrizes de ensino do país- carece, por intermédio da mídia, grande propagadora de informações, desmistificar as ideias do sendo comum de que apenas homens podem exercer o esporte de alto rendimento. Por fim, o ato é levantado com o intuito de proporcionar o enaltecimento do esporte no sexo feminino. Feito isso, o país se aproximará da preposição de Zweig no final da primeira metade do século XX.