A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 17/11/2021
De acordo com a ESPN, a jogadora de futebol Marta, passou o “rei do futebol” Pelé, em número de gols pela seleção. Todavia, o feito não teve a mídia merecida, assim como ocorre com as demais notícias do futebol feminino brasileiro. Nessa conjuntura, a subversão a qual é submetido o esporte feminino no Brasil é resultado direto do patriarcado e, por conseguinte, dos estigmas sociais. Desse modo, tal conjuntura é incabível e merece um olhar mais crítico a fim de sua dissolução.
Inicialmente, cabe abordar a sociedade patriarcal que, ainda, domina o mundo hodierno. Segundo a filósofa Simone de Beauvoir, em seu livro “O Segundo Sexo”, a mulher sempre é submetida ao segundo lugar, ao papel de coadjuvante, na sociedade machista. Em outras palavras, o esporte feminino ser subordinado ao masculino é resultado direto da conjunção social, ou seja, uma coletividade que prioriza o homem como protagonista e primeiro. À vista disso, atletas, como Marta, são vítimas de injustiças, pois executam o mesmo trabalho que os atletas homens, mas não recebem os mesmos privilégios. Logo, o patriarcado moderno motoriza a desvalorização do esporte feminino no Brasil.
Outrossim, é válido salientar os preconceitos estruturados no corpo civil moderno. Em conformidade com o filósofo Pierre Bourdieu, a “violência simbólica” é a condição em que se perpetuam valores culturais como dominantes e, em decorrência disso, os demais discursos são oprimidos e estigmatizados. Em outros termos, os estigmas acerca das mulheres, como a fragilidade e a delicadeza, dão margem para que conceitos prévios sejam atribuídos a prática do esporte por fêmeas, afastando patrocínios e público para os eventos e, por consequência, enfraquecendo a valorização do esporte feminino. Dessa maneira, os prejulgamentos causados pela violência simbólica da sociedade é um desafio para a valorização da prática.
Depreende-se, portanto, a necessidade da adoção de medidas que facilitem a valorização do esporte feminino no Brasil. Para tanto, urge que o Ministério da Cidadania promova campanhas que objetivem-se desfazer os preconceitos preestabelecidos acerca das mulheres no esporte, por meio da oneração de gastos para promoção de comerciais pelas mídias de grande alcance, cartazes e panfletos com notícias e curiosidades sobre o mundo do esporte feminino, por exemplo, os gols de Marta, as curiosidades dos times e a divulgação de eventos, para que formule-se uma geração que enxergue por olhos limpos de preconceitos e subversões. Somente assim, feitos, como o de Marta, receberão os merecidos aplausos.