A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 16/11/2021

Na sociedade espartana o esporte feminino tinha grande destaque, pois a cidade-estado grega era militarizada e as práticas esportivas eram amplamente incentivadas para o treinamento das mulheres. Na contemporaneidade, infelizmente, a valorização do esporte feminino no Brasil não ocorre de maneira efetiva, o que configura um problema a ser resolvido. Desse modo, é necessária uma discussão mais efetiva no que tange à inoperância governamental e às práticas desportivas no ambiente escolar que são majoritariamente masculinas.

Cabe analisar, de início, que a negligência governamental influencia consideralvemente para a desvalorização do esporte feminino. Sob esse viés, o escritor Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel” destaca que a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para assegurar o artigo 217 da Constituição Federal, em que se afirma que é dever do Estado fomentar práticas esportivas formais e não formais. Nessa lógica, a falta de investimentos nos clubes femininos e a insuficiência de patrocínio para ampliar e motivar o desporte são fatores que colaboram para a negligência da máquina administrativa, e proporciona o retrocesso da nação brasileira.

Outrossim, cabe ressaltar que a ausência da participação escolar em promover a valorização do esporte feminino constitui um agravamento desse entrave. Embora, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional assevere um ensino pautado na tolerância e valorize as relações além das salas de aula, nota-se que essa prerrogativa não é devidamente praticada nas instituições de ensino. Nessa perspectiva, é notório que em grande parte das escolas brasileiras a prática esportiva é preponderantemente realizadas por meninos, tendo em vista que a falta de incentivo e o machismo enraizado contribuem para a não valorização do esporte praticado pelas alunas, fato que corrobora para a permanência do impasse.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar o problema. Para tanto, compete ao Ministério do Esporte em parceria com o Ministério da Economia, destinarem verbas oriundas dos cofres públicos para as atléticas e clubes femininos, por meio de um projeto de lei que será enviado e tramitado na Câmara dos Deputados, a fim de estimular o esporte praticado por mulheres, aumentar o número de atletas e assim valorizar o esporte feminino. Dessa forma, o artigo 217 estará de fato sendo assegurado pelo Estado.