A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 20/11/2021
Nas Olimpíadas de Tokyo de 2021, a skatista brasileira conhecida como “Fadinha” ganhou notoriedade ao popularizar esse esporte- o skate-, predominantemente masculino. Em contrapartida, ao analisar a realidade brasileira, tal panorama de consquista feminina ainda não se perpetua integralmente, visto a persitência da desvalorização das mulheres no âmbito esportivo do País. Desse modo, torna-se premente analisar, respectivamente, as principais causa e consequência dessa problemática: a cultura misógina e a falta de estímulo profissional.
Diante desse cenário, é lícito postular que o reconhecimento das atletas brasileiras é brecado diretamente pelo machismo estrutural. A respeito disso, o filósofo francês Pierre Bourdieu ratifica: “O que foi criado para ser instrumento de democracia, não deve ser convertido em mecanismo de opressão”. Nesse raciocínio, infere-se que o papel da mídia, via de regra, consiste na democratização de informações para maioria dos cidadãos. No entanto, sabe-se que, no Brasil, os canais de comunicação, majoritariamente, constituem-se de uma superioridade dos interesses masculinos, como a elevada disponibilidade de programas esportivos e de entretenimento direcionada a esse público. Como consequência, tal contexto machista contribui para o baixo interesse dos telespectadores no consumo dos jogos de atletas, bem como para a precária representatividade feminina nos eventos esportivos. Dessa forma, fica claro a necessidade de uma mudança de paradigma nos meios de comunicação.
Ademais, cabe ressaltar que a problemática em questão é mola propulsora da escassez de incentivo profissional às mulheres. Com base nisso, segundo o sociólogo Durkheim, o meio é coercitivo com o ser, ou seja, as imposições coletivas exercem uma influência direta nas ações individuais. Paralelamente, no Brasil hodierno, é factual que os núcleos de convívio, em sua maioria, são compostos por uma mentalidade machista, responsável por naturalizar a desvalorização referente à escolha de profissões esportivas femininas. Como reflexo, destaca-se a carência de amparo, tanto econômico quanto social, de futuras atletas, perpetuando, assim, um quadro latente de falta de pespectivas em relação à ascendência profissional desse grupo.
Em suma, para solucionar a temática em pauta, é preciso desarticular a depreciação esportiva das mulheres. Com isso, o CONAR- órgão responsável por regulamentar a publicidade nacional- deve elaborar programas, em canais televisivos, de caráter socioeducativo, por meio de debates coordenados por atletas femininas, que abordem a importância da valorização e dos investimentos na âmbito de esportes supracitado, a fim de reverter o quadro de misoginia impregnado na sociedade brasileira. Assim, certamente profissionais como a Fadinha ganharão notoriedade no cenário nacional e mundial.