A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 21/03/2022
As mulheres, historicamente, são inferiorizadas e taxadas como subordinadas aos homens desde a formação do identitário nacional brasileiro, a partir do século XIX, em que as “atividades femininas” foram arbitradas socialmente como as que não exigiam esforço físico e estavam ligadas ao cuidado do lar. Atualmente, vestígios dessa sociedade patriarcal dificultam a tentativa das mulheres na inserção ao meio futebolístico brasileiro. Desse modo, problemáticas como a falta de incentivo financeiro e a desqualificação do futebol feminino são comuns e merecem um olhar mais crítico de enfrentamento. Durante a Copa do Mundo de Futebol Feminino, em 2019, Marta, a capitã da seleção brasileira, denunciou publicamente a falta de patrocínio ao esporte feminino quando entrou em campo com uma chuteira preta, desprovida de qualquer marca. Fato que corroborou para uma maior visibilidae e debate acerca da disparidade no incentivo ao esporte entre os gêneros, pois os times masculinos, comumente, recebem patrocínio de empresas que auxliam financeiramente os jogadores e divulgam suas marcas nas chuteiras dos patrocinados, o que não aconteceu com as mulheres. Contudo, essa situação persiste e cria uma espécie de “desigualdade esportiva” entre homens e mulheres.
Paralelamente, ocorre também a inferiorização das partidas femininas, as jogadoras possuem suas habilidades diminuídas e contestadas em relação aos homens. No filme “Ela é o Cara”, por exemplo, a personagem principal se passa pelo seu irmão para participar de um campeonato masculino de futebol, entretanto, suas habilidades não são questionadas já que sua verdadeira identidade não é revelada. Analogamente, se a sociedade se desprendesse da mentalidade arcaica da mulher subalterna ao homem, a equidade técnica entre os gêneros, nos jogos de futebol, não iria ser contestada e, diferente da ficção, não seria necessário uma pseudo-identidade.
Portanto, torna-se evidente que a desvalorização do esporte feminino no Brasil precisa ser combatido. Para isso, o Estado, por meio de parcerias com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e canais abertos de televisão a fim de alcançar o maior público possível -, deve veicular jogos e propagandas que valorizem o futebol feminino.