A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 08/07/2022
Nas Olimpíadas de Tóquio, que ocorreram em 2021, teve o maior número de atletas do sexo feminino da história, com 48,8%. Em contraste com esse evento mundial, na realidade brasileira, observa-se que, infelizmente, grande parte das mulheres no esporte são invisibilizadas, já que o individualismo e a falta de responsabilidade governamental e social são fatores preponderantes que dificultam a valorização do esporte feminino.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que segundo o filósofo Zygmunt Bauman, em sua tese “Modernidade Líquida”, a queda das atitudes éticas explica-se pela fluidez dos valores, a fim de atender aos interesses pessoais. Nesse sentido, é notável o individualismo em situações que não interferem diretamente na vida da maioria das pessoas, como a causa das mulheres nos mais diversos esportes. Isso acontece, porque muitos indivíduos - preocupados com o consumismo e com seus desejos pessoais e laborais - não se importam com o que ocorre ao seu redor. Por conseguinte, inúmeras esportistas não contemplam o devido reconhecimento que merecem e, pela falta de visibilidade, dificulta que meninas encontrem referências como forma de incentivo para o seguimento na carreira.
Cabe mencionar, em segundo plano, a responsabilidade do Estado e da população na desvalorização das atletas brasileiras. A filósofa alemã Hannah Arendt, em seu conceito de “Banalidade do Mal”, quando uma atitude hostil ocorre constantemente, os indivíduos passam a vê-la como banal. Sob esse viés, é perceptível pela sociedade a diferença do tratamento dado a atletas masculinos e femininos pela mídia e pelos patrocinadores, em que os homens recebem mais visibilidade e possuem maiores salários comparados a mulheres que praticam a mesma atividade. No entanto, considera-se esse fato natural e banalizado.
Portanto, diante do cenário brasileiro atual, é reiterada a necessidade do Governo Federal planejar e executar políticas afirmativas em benefício do esporte feminino. Essa ação dar-se-á por meio da parceria de Secretarias de Esporte, estaduais e municipais, as quais enviarão dados demonstrando a necessidade do incentivo, para que, assim, haja maior valorização das mulheres no esporte.