A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 13/08/2022
“Quando uma atitude hostil ocorre constantemente, os indivíduos passam a vê-la como banal”. Essa frase, da filósofa Hannah Arendt, relaciona-se ao contexto de desvalorização do esporte feminino no Brasil. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas o descaso governamental e à precária reflexão midiática; fatos que culminam em preocupantes mazelas.
É válido destacar, a princípio, que a negligência estatal representa um grande obstáculo para a resolução da falta de valorização do esporte feminino. Nesse contexto, de acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”, o Brasil é marcado pela não aplicação prática dos mecanismos legais, como a Constituição de 1988, e pela cidadania apenas no campo teórico. Dito isso, pode-se afirmar que o impasse quanto à valorização das práticas esportivas femininas vai ao encontro do cenário postulado pelo jornalista, já que, apesar de o Art.5 assegurar o direito a igualdade de todos perante a lei, não é o que acontece na prática. Essa situação ocorre de tal forma que sem o investimento governamental, há falta de subsídio financeiro para que projetos relacionados ao esporte feminino, como artes macias, escolas de futebol e atletismo ocorram nos municípios brasileiros. Consequentemente, as mulheres desistem da prática esportiva por não ter condições de se manter financeiramente, o que evidencia o caráter desigual do esporte, ao levar-se em conta ,que a oportunidade é restrita para quem possui elevadas condições monetárias.
Além disso, conforme o filósofo Pierre Bordieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nesse contexto, observa-se que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população sobre a importancia de valorizar o esporte feminino, infelizmente, contribui com o silenciamento midiático, visto que - em redes sociais, programas de TV- não há transmissão de jogos femininos. Por conseguinte, tal banalização promovida pela mídia inviabiliza o conhecimento das meninas, ainda na infância, do funcionamento do esporte, impedindo o interesse de procurar desenvolver a habilidade esportiva e obter os benefícios, os quais incl