A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 03/09/2022
Hodiernamente, pouco se discute acerca da valorização do esporte feminino no Brasil. No entanto, a negligência estatal e o ritmo de vida acelerado configuram-se como agravantes nesse cenário. Nesse sentido, é inegável a relevância do debate em prol da harmonia social.
É válido destacar, a princípio, a omissão governamental como um obstáculo para a efetivação da necessidade de valorizar o desporto do gênero feminino. Nesse contexto, conforme Gilberto Dimenstein, em sua obra “O Cidadão de Papel”, o Brasil é marcado pela ineficácia dos mecanismos legais. Dito isso, a problemática vai de encontro ao postulado pelo autor, uma vez que, mesmo que legalizado por lei, desde 1979, a prática esportiva entre as mulheres encontram desafios, quase inexistente entre homens, para se sustentarem no mercado, devido a falta de incentivos e propagandas de visibilidade, por parte dos órgãos responsáveis. Assim, essa situação ocorre de tal forma que, ainda a maior artilheira, a jogadora Marta, da Seleção Brasileira, sofre com dificuldades em conseguir patrocínios e igualdade salarial, segundo a BBC News.
Além disso, consoante a jornalista Eliane Brum, em seu texto “Exaustos, correndo e dopados”, a socidade encontra-se em um momento que precisa sempre estar produzindo: “24 horas por dia/7 dias por semana”. Por conta disso, verifica-se que o corpo social, sempre com pressa, não tem tempo para refletir sobre os esforços que as atletas fazem para ser valorizadas perante a nação, como, por exemplo, conseguir ter um jogo televisionado, em grandes canais da TV aberta, fora da época de grandes competições, como Olímpiadas. Essa problema faz com que, a sociedade imediatista e individualista não se preocupe com a audiência feminina nos esportes, visto que, também, não é noticiado como uma pauta importante dentre os veículos de comunicação.
Diante de tal situação, ainda é necessário percorrer um longo caminho para implantar a equidade esportiva. Sendo assim, cabe ao Conselho Nacional de Desporto, responsável pela regulação desportiva, instituir campanhas publicitárias, por meio da mídia particular e sites do governo, com a finalidade de evidenciar as demandas da atividade física profissional feminina, buscando chamar mais atenção para cartolas e patrocinadores oficiais. Feito isso, amenizar-se-ão os dilemas sociais.