A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 07/10/2022
No livro “O Cidadão de Papel”, do jornalista Gilberto Dimenstein, a denúncia da ineficácia de diversos mecanismos legais é feita, evidenciando uma cidadania aparente - metáfora utilizada pelo autor. Nesse sentido, pode-se relacionar tal premissa ao que ocorre no Brasil, por exemplo, a valorização do esporte feminino aquém do que deveria ser. Isso se deve à um fator economico e cultural, e à inobservância estatal.
Em primeiro lugar, de acordo com a Constituição Federal de 1988, artigo V, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza […]. Entretanto, isso não ocorre na prática, na medida em que há uma supremacia do gênero masculino dentro dos eventos desportivos oficiais no Brasil. De acordo com uma entrevista dada à imprensa, pela jogadora de futebol, Marta, nesse esporte, o principal fator, para que a modalidade feminina não seja tão “bem"patrocidada quanto a modalidade masculina, é que as marcas e produtos mais caros e mais vendidos, dentro do público praticante de esportes, são consumidos majoritariamente por homens, e não por mulheres. Partindo desse fato, não se trata exatamente de preconceito contra as mulheres. Contudo, a presença inferior das mulheres nos esportes não deixa de colaborar para o aumento do machismo, no contexto da prática esportiva.
Além disso, vale ressaltar a negligência estatal para o agravamento desse cenário. Pois, a precariedade da educação pública escolar contribui para a permanencia do esteriótipo social de “mulher frágil - exclusiva ao ambiente doméstico”. Isso acontece, visto que não há nas grades curriculares, das escolas, uma disciplina que tenha como objetivo igualar de forma enfática a isonomia de todos independente de qualquer fator. Essa realidade resulta na permanência das desigualdades salariais, em relação as mulheres.
É necessário, portanto, que a grande mídia coloque sob debate o tema da valorização do esporte feminino no Brasil. Isso pode ser feito por meio de entrevistas de rua, e de rodas de conversas, nos programas televisivos, afim de combater a cidadania aparente abordada por Dimenstein.