A valorização do esporte feminino no Brasil.

Enviada em 14/08/2023

No livro “O Cidadão de papel”, do jornalista Gilberto Dimenstein, a denúncia da ineficácia de diversos mecanismos legais é feita, evidenciando uma cidadania aparente — metáfora utilizada pelo autor. Nesse sentido, pode-se relacionar tal premissa ao que ocorre no Brasil, por exemplo, os desafios para garantir a valorização das mulheres no esporte. Isso é causado pela irracionalidade e pela educação brasileira, fatos que perpetuam esse problema.

A princípio, conforme o conceito de “Banalidade do mal”, cunham pela filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude hostil acontece constantemente, há a naturalização dos obstáculos por falta de reflexão. Destarte, isso evidencia a irracionalidade em relação ao não debate sobre a desvalorização do esporte feminino e seus desdobramentos as mulheres. Efetivamente, isso ocorre, pois o Governo banaliza a falta de informação acerca do esporte feminino, isto é, não elabora campanhas que visem informar a importância das mulheres no esporte e de que maneira proceder para garantir a valorização e a representatividade, por exemplo, não existe um canal de esportes feminino e nem mesmo disseminação de documentários na TV, por isso, muitas mulheres são vítimas desse grande empecilho social, configurando a trivialização da maldade, que, para Arendt é o vazio de pensamento. Consequentemente, isso gera uma violência velada (implícita) com essa parcela da sociedade e, até mesmo, sentimento de invisibilidade, motivado pela falta de amparo à parturiente.

Além disso, é igualmente preciso apontar a educação, nos moldes predominantes no Brasil, como outro fator que contribui para a manutenção da valorização do esporte feminino. Para entender tal apontamento, é justo relembrar a obra “Pedagogia da Autonomia”, do patrono a educação brasileira, Paulo Freire, na qual afirma a importância das escolas em fomentar, não só o conhecimento técnico-científico, mas também habilidades socioemocionais, como respeito e empatia. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a maioria das instalações de ensino brasileira, uma vez que são conteudista, não contribuem no combate ao estigma relacionados a falta de visibilidade do esporte feminino na sociedade contemporânea.

Portanto, fica a cargo das ONGs feministas criarem campanhas informativas em plataformas de “streaming”, como YouTube, Netflix e tiktok. Isso deve ocorrer por meio de curta-metragens e de vídeos lúdicos sobre os caminhos de combater a desvalorização no esporte feminino. Essa ação tem a finalidade de remediar não somente a irracionalidade, mas também a educação brasileira, contrapondo o elucidado por Arendt.