A valorização do esporte feminino no Brasil.
Enviada em 01/09/2023
Sob a perspectiva dos ideais preconizados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu primeiro considerando, todas as pessoas são pertencentes à mesma família, a família humana e, em virtude dessa razão, não há razão para manutenção de diferenças entre os cidadãos, pois todos são titulares de direitos inalienáveis. Entretanto, diante da ausência de valorização do esporte feminino, é notável que as mulheres não têm essa garantia assegurada no Brasil. Tal circunstância configura-se um substancial empecilho para o bem-estar do tecido social e fere os princípios de um estado igualitário. Diante desse cenário, relevantes obstáculos são impulsionadores do revés, como a negligência estatal associada a uma cultura de valorização do sexo masculino.
Em primeiro plano, vale ressaltar que a Constituição Federal, em seu Artigo 217, afirma que é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um. Entretanto, ao observar a realidade das mulheres no meio esportivo, é perceptível que essas encontram mais dificuldades que os homens no meio esportivo, principalmente relacionado ao patrocínio e a visibilidade, visto que os maiores salários são pagos aos atletas masculinos e as mídias pouco veiculam informações sobre o esporte feminino. Tal fato mostra a ineficiência do Estado em cumprir com os preceitos Constitucionais.
Além disso,é pertinente pontuar o caráter machista e patriarcal da sociedade brasileira. Ainda no século XXI, existe um determinismo biológico relacionado às mulheres e relevante parte da população presa que o sexo feminino deve submeter-se ao masculino, e que atividades como o atletismo não são adequadas para o “sexo frágil”, o que é reflexo da valorização dos padrões criados pela consciência coletiva. No entanto, segundo o pensador francês Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para “quebrar” pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Assim, é necessário que medidas sejam tomadas para transpor as barreiras do reconhecimento do esporte feminino.
Logo, o Estado deve, por intermédio dos Ministérios da Mulher e da Cidadania, assegurar a igualdade no espaço esportivo, por meio de um maior investimento na nas atletas, conferindo-lhes a possibilidade de seguir a carreira esportiva. Ademais, o Ministério da Educação deve investir em aulas e palestras gratuitas, específicas sobre a importância das práticas desportivas femininas, a fim de influenciar o crescimento de mulheres no esporte e romper o paradigma sexista do esporte brasileiro. Dessa forma, será possível aproximar-se da realidade prometida pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.