A Violência Contra a Mulher
Enviada em 29/08/2019
No ano de 1983, a vida da farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes mudou para sempre. Casada e com três filhas, Maria sofreu duas tentativas de feminicídio por parte de seu marido e em decorrência disso, acabou ficando paraplégica. Graças à notoriedade do caso, o governo brasileiro criou a Lei Maria da Penha, que tem o intuito de proteger mulheres da violência doméstica. Ainda que pioneira, a lei não é eficaz em questões de prevenção. O machismo enraizado na sociedade, a falta de ações educativas e de proteção fazem com que as brasileiras ainda sejam vítimas de violência.
Primeiramente, é necessário entender que existe uma parcela de mulheres brasileiras que é mais propensa a sofrer violência doméstica. Segundo pesquisa do Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mulheres pretas e pardas têm mais chance de serem agredidas. Além disso, 1,6 milhão de mulheres foram vítimas de espancamento ou sofreram tentativas de estrangulamento. Entre esses casos de violência, 42% aconteceram em âmbito doméstico.
Nesse contexto, a carência do debate sobre o tema é uma das principais barreiras para que esses números não diminuam. A sociedade patriarcal ainda enxerga a mulher como um ser humano de segunda classe; logo, a vontade da mulher é menos importante do que qualquer sentimento que um homem venha a ter. A voz das mulheres, principalmente as periféricas, é apenas um sussurro quando comparada a voz do homem, que ecoa por todos os lugares.
Além disso, ainda existe a questão da vulnerabilidade financeira e social dessas mulheres. Segundo pesquisa realizada em 2018 pelo Ministério Público, 25% das vítimas de violência doméstica no Brasil acabavam não saindo de casa por não terem emprego e nem para onde ir. Essas mulheres acabam ficando à mercê da própria sorte graças a falta de programas de acolhimento as vítimas.
Com o intuito de amenizar essa problemática, faz-se necessário a implantação de medidas efetivas para diminuição dos casos de agressão contra a mulher. O Estado deve veicular campanhas de conscientização em espaços públicos e privados, promovendo um debate com pautas de equidade de gênero e informações de como proceder em casos de violência doméstica. Projetos como a Casa da Mulher Brasileira, que tem como função amparar mulheres em situação de vulnerabilidade, devem existir em todas as cidades do país. Outra medida é ceder uma ajuda de custo para que essas mulheres tenham certa segurança financeira para sair de situações de abuso. Maria da Penha foi pioneira, não só ao denunciar seu agressor, mas na luta incansável para que a lei que leva seu nome fosse implantada e mantida. É dever de toda a sociedade acabar com os ciclos de violência e fazer com que essa luta não tenha sido em vão.