A Violência Contra a Mulher
Enviada em 24/03/2020
Em 2010, a investigação criminal envolvendo o ex-goleiro do Flamengo, Bruno, ganhou repercussão nacional na mídia e nas redes sociais. Nesse sentido, Bruno foi julgado e condenado pelo brutal feminicídio da sua companheira e mãe do seu filho, Eliza Samúdio. Na atualidade, é fato que milhares de mulheres são violentadas no Brasil, assim como Eliza, essa violência que tem como raízes não só a cultura patriarcal brasileira, mas também a deficiência no ensino acerca da igualdade de gênero.
Antes de tudo, é importante destacar que a construção da sociedade hodierna embasada no patriarcalismo corrobora com esse viés. Desse modo, a comunidade brasileira cultiva indivíduos machistas e sexistas que serão capazes de cometer violência doméstica em breve. Isso é nítido nos dados acerca dos crimes em 2017, que segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), totalizaram-se cerca de 1100 casos de feminicídio no Brasil. Nessa perspectiva, a cultura desses indivíduos vão de encontro à Carta Magna, que assegura a liberdade e os direitos iguais entre homens e mulheres no Brasil. Com isso, assim como no caso da Eliza, a cultura patriarcal prevaleceu acima dos direitos constitucionais.
Ademais, a negligência das escolas sobre o ensino da igualdade de gênero sustenta a violência contra as mulheres. De acordo com o sociólogo Edgar Morin, a reforma do pensamento só é possível através da reforma da educação, tal qual o debate sobre isonomia entre os sexos nas instituições educacionais trabalharia como um entrave aos pensamentos sexistas, exemplificados no preconceito, na desigualdade de gênero, na violência doméstica e que corroboram, também, para o feminicídio. Assim sendo, ações plurais são urgentes à desconstrução dessa concepção de segregação que influencia na sociedade brasileira.
Portanto, fazem-se necessárias medidas públicas que combatam a violência contra a mulher. Para a conscientização da população acerca do tema, urge que o Ministério da Educação, responsável pela educação da sociedade, crie eventos escolares com a participação da família e da comunidade, por meio de parcerias com instituições privadas e influenciadores midiáticos, no intuito de promover o debate acerca da igualdade de gênero, do respeito às mulheres e do combate à violência doméstica. Somente assim, nenhuma mulher sofrerá das dores que Eliza Samúdio sofreu um dia.