A Violência Contra a Mulher
Enviada em 26/05/2020
A música “Mulheres de Atenas de Chico Buarque” descreve o papel da mulher na antiga sociedade grega, essas sendo objetificadas possuíam como dever a submissão total ao homem. “(…) geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas, elas não têm gosto ou vontade, nem defeito nem qualidade, têm medo apenas (…)”. No que concerne a sociedade atual à música, observa-se que o abuso e o assédio as mulheres ainda é uma questão muito presente, uma vez que essa ainda apresenta indícios de uma cultura machista e patriarcal.
Nesse contexto, a Constituição Federal de 1988 garante no artigo 6° o direito de igualdade, liberdade e segurança à todos os indivíduos. Entretanto, grupos sociais como as mulheres, não se sentem possuintes de tais direitos, haja vista que, episódios de abusos, assédios e violência são vivenciados por todas diariamente no Brasil. Tal conjectura é intensificada pela desigualdade entre os gêneros, posto que a mulher ainda é vista muitas das vezes como serva ou objeto de posse, sendo diminuída e inferiorizada quando comparada a algum homem, prova disso está nos contrastes salariais, nos cargos de trabalho ou nas hierarquias familiares em que a mulher deve ser subordinada a um ente de gênero masculino.
De modo paralelo, segundo a filósofa Simone de Beauvoir “Não se nasce mulher, torna-se mulher”, essa frase ratifica o influente papel da sociedade, bem como, da família, mediante a perpetuação da inferiorização da mulher. Sob essa ótica, a romantização de relacionamentos abusivos, seja na literatura ou em entretenimento televisivos, que são refletidos na realidade, junto a conformidade diante ou ao assédio velado ou a abusos psicológicos e/ou físicos, são fatores que banalizam e legitimam a violência contra a mulher.
Portanto, é imprescindível a adoção de medidas que atuem na problemática. Para tal, cabe ao Estado investir em uma maior fiscalização da Lei Maria da Penha, assim como, na ampliação e divulgação das unidades de Delegacia da mulher, principalmente em regiões periféricas do Brasil, a fim de atenuar os índices de violência e atender o maior número possível de vítimas de abuso, de modo a amparar e assistir a todas as mulheres. Outrossim, o Ministério da Educação deve por meio de campanhas e seminários públicos nas escolas expor a importância da igualdade de gênero e da denúncia relacionada a qualquer tipo de violência contra mulher, com o objetivo de construir uma nova cultura em que as mulheres não sejam vítimas do machismo e patriarcalismo como as “Mulheres de Atenas” de Chico Buarque.