A Violência Contra a Mulher
Enviada em 06/01/2021
Em meio a uma realidade catastrófica o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de superação. Essa é a mensagem da obra “Guernica” do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um candeeiro que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e a violência contra as mulheres no Brasil, uma vez que, diante deste impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar os aspectos psicanalíticos e sociais que envolvem essa questão no país.
De antemão, vê-se que o Poder Público tem se mostrado negligente ao não investir na segurança das mulheres após efetuarem uma denúncia de violência sexual. Isso porque uma adolescente que é abusada sexualmente por um familiar pode ter interesse de denunciar o cidadão. Contudo, entender que pode sofrer represálias do abusador tende a se apresentar como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, pois, segundo sua teoria psicanalítica, um indivíduo sofre conflitos entre os impulsos inconscientes (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego). Além disso, enfatiza-se que há uma certa resignação social diante da violência contra as mulheres. Como prova disso, percebe-se uma inércia de parte da população perante a ausência de assistência estatal, visto que falta oferecer auxílio psicológico às vitimas de agressão doméstica, comprometendo, dessa forma, o direito à integridade física delas. Considerando os estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se que a massificação social promove a alienação dos cidadãos, prejudicando, desse modo, o senso crítico deles.
Constata-se, finalmente, que a violência contra as mulheres deve ser solucionada. Logo, é importante exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, investimento financeiro, priorizando verbas, a partir do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, para a contratação de policiais, com o objetivo de manter a segurança da vítima após a denúncia. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas, promovidas por organizações não governamentais, a fim de que a violência contra pessoas do sexo feminino não seja banalizado, o que pode ser potencializado, por meio do Ministério da Saúde com oferecimento de consultas para como cidadãs que foram agredidas fisícamente, objetivando, com isso, assegurar o direito à integridade física delas. Desse modo, assim como na obra “Guernica”, seria possível “iluminar” o processo de superação desse impasse.