A Violência Contra a Mulher

Enviada em 31/10/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a violência contra a mulher apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de investimento, quanto da ausência de debate. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a falta de investimentos deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, a taxa de investimento no Brasil, somando setores público e privado, está no seu menor nível dos últimos 50 anos. No entanto, para agir sobre problemas coletivos, como a questão da agressão contra a mulher, é preciso investimento massivo. Como há uma lacuna financeira no que tange ao problema, sua erradicação tem sido complicada. Faz-se imprescindível, portanto, a dissolução dessa conjuntura.

Ademais, é imperativo ressaltar a falta de debate como impulsionador do problema. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como a violência contra a mulher seja resolvido, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à constituição de um mundo melhor. Destarte, as lideranças dos bairros, em parceria com a prefeitura, devem elaborar abaixo-assinados e cartas exigindo do poder público maior direcionamento de verba à resolução da violência. Tais documentos podem ser digitalizados e enviados ao site “Fala.BR”, plataforma de ouvidoria da Controladoria-Geral da União. Assim, o governo pode se conscientizar acerca da destinação da verba pública e da importância de solucionar com urgência a questão da violência contra a mulher. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe para a problemática com mais empatia, pois, como descreveu o poeta Leminski: “Em mim, eu vejo o outro”.