A Violência Contra a Mulher
Enviada em 12/05/2021
O ativista político estadunidense, Martin Luther King afirmava preocupar-se mais com o silêncio dos bons do que com o grito dos maus. Tal premissa permite uma reflexão acerca da apatia da sociedade brasileira diante de questões, como a violência contra a mulher. Nesse sentido, o confinamento devido à COVID-19 e a impunibilidade dos agressores potencializam essa problemática. Diante disso, cabe analisar essa situação infeliz a fim de mudar o rumo da vida das mulheres.
Em uma primeira análise, cabe ressaltar que o confinamento provocado pela pandemia em 2020 fez com que casos de violência contra a mulher aumentassem no mundo inteiro, já que a vítima e o agressor passariam a conviver 24 horas por dia. Nesse contexto, parafraseando o filósofo Platão, o importante não é só viver, mas viver bem. Tal pressuposto demonstra que a situação provocada pelo início da pandemia tem impedido o bem-estar de inúmeras mulheres. Posto isso, foram tomadas atitudes para que as vítimas conseguissem denunciar os seus agressores mesmo estando confinadas com eles. No Brasil, por exemplo, foram criadas novas vias de denúncia por WhatsApp e por um aplicativo chamado “Direitos Humanos Brasil”, o que aumentou o número de denúncias drasticamente, pois a mesma denúncia pode acabar sendo feita por plataformas diferentes.
Em segundo plano, cabe ressaltar que a impunibilidade de praticantes desse tipo de crime é muito alta no mundo inteiro, devido às poucas maneiras de conseguir provas para o crime no tribunal. Sob esse mesmo prisma, o livro “Um olhar a mais” do psicanalista Antonio Quinet defende que a sociedade é mediada pelo olhar. Essa afirmativa pode ser vista claramente nesse tipo de crime, já que a única prova incontestável é o exame corpo-delito. Posto isso, a dificuldade de punir os infratores só aumenta, pois muitas vezes a mulher não está disposta a fazer o exame corpo-delito, devido ao trauma e em outras ela, simplesmente, não consegue pois o agressor a manteve em cativeiro. Assim, é inquestionável que a violência contra a mulher apesar de ser debatida e levada em conta com seriedade não possui ferramentas para punir os agressores com a constância exigida pela gravidade do crime.
Infere-se, portanto, que a COVID-19 e a impunibilidade agravam a situação de mulheres violentadas. Logo, é essencial que sejam criadas novas vias de denúncia, não só no Brasil, mas, no mundo inteiro pelos respectivos representantes femininos de cada nação. Além de inovar exames corpo-delito, para que a impunidade diminua cada vez mais para esse tipo de crime. Desse modo, os gritos dos maus não serão tão ensurdecedores.