A Violência Contra a Mulher
Enviada em 19/11/2021
No filme “Poderoso Chefão 2”, há uma cultura de objetificação e submissão feminina que era considerada “normal”. No longa-metragem é retratado a maneira como o personagem principal Michael lida de maneira possessiva e controladora com a esposa Kay. Frusta constatar, porém, que de maneira análoga ao retratado na película cinematográfica a sociedade brasileira ainda possui pensamentos de “posse” sobre a mulher. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam o ideário machista e a omissão do Estado.
Em primeira análise, é válido destacar que a sociedade banalizou a opressão masculina no cotidiano. Isso decore de uma herança da cultura patriarcal do Brasil colônia, onde as mulheres eram tratadas apenas como “objeto” de prazer e para reprodução. Além disso, em casos de contestação ou recusa eram aceitáveis na época como consequência violências verbais e fisícas. Lamentavelmente, tal juízo persistiu nas futuras gerações, pois, houve a progressão do pensamento opressor. Conforme o filósofo suíço Rousseau, “o homem é produto do meio em que vive”. De forma semelhante a essa convicção, à atual geração é resultado de séculos de feminicídos e supressão do papel feminino na sociedade.
Ademais, a constituição brasileira de 1988 em seu artigo 5º, garante a segurança e liberdade para toda a população, no entanto, a população feminina diariamente tem seus direitos violados. Isso porque, é presente na sociedade os mais diversos tipos de violência contra as mulheres, como agressões físicas, verbais, sexuais e etc. Outrossim, é comum ser noticiado nos meios de comunicação crimes contra o público feminino, apesar de haver leis para coibir tais atos. Dessa forma, é imprescindível citar o livro “Cidadão de Papel”, do jornalista e escritor Gilberto Dimenstein, acerca da cidadania de papel, isto é, embora o país apresente um conjunto de leis bastante consistente, elas se atêm, de forma geral, ao plano teórico. Por consequência disso, ainda que exista a Lei Maria da Penha, não há sua ampla execução.
Torna-se evidente, portanto, que a herança histórico-cultural e a negligência do poder público provocam a violência contra a mulher. Destarte, urge a necessidade do Ministério da Educação, em parceria com ONGs de combate a violência feminina, criem uma disciplina de igualdade de genêro nas escolas, para conscientizar o futuro cidadão do tema, visando reduzir as condutas criminosas futuras. Somado a isso, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, deve investir por meio de verbas governamentais em um serviço de atendimento online e a criação de canais onde os familiares e vizinhos possam denunciar, com desenvolvimento de protocolos de verficação destas denúncias. Dessa maneira, será possível aumentar a proteção das mulheres e também incentivar o público a denunciar.