A Violência Contra a Mulher

Enviada em 07/08/2023

Na obra “Utopia”, do escritório inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o aumento da violência contra a mulher no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de representação midiática quanto da negligência estatal. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Sob essa ótica, é impossível denominar a falta de representação midiática como raiz propulsora da violência contra a população feminina, isso porque o setor televiso fornece escassa visibilidade a essa parte da população, tornando-a invisível aos expectadores. Tal entrave exemplifica-se na fala do emblemático escritor George Orwell — “A maca move a mídia e a mídia move a massa”, diante disso, fica clara a influência de comerciais e reportagens que deem protagonismo as mulheres que são exportas a um ambiente traumático por conta das agressões cometidas diariamente. Logo, a rara visibilidade do feminicídio impossibilita que as mulheres que afirmam ter sido agredidas sejam vistas e valorizadas pela população e tal cenário não pode ser negligenciado.

Ademais, o fenômeno da sociedade líquida pode ser apontado como impasse para solucionar a persistência da violência contra a mulher na realidade brasileira. Nesse sentido, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, em sua tese “Modernidade líquida”, “a contemporaneidade é marcada pela volatilidade das relações sociais: fragmentação dos laços afetivos e individualismo”. Sob esse viés, a passividade coletiva perante a essa dinâmica demonstra a realidade bauniana : indivíduos autocentrados e alheios ao que acontece ao redor. Desse modo, nota-se uma sociedade cada vez mais carente de tradições nacionais e, também, de conhecimento acerca de suas origens.

Em virtude dos fatos mencionados, medidas devem ser tomadas para modificar esse panorama. Logo, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as secretarias municipais de educação, promover debates e palestras dentro das escolas, por meio de verbas governamentais, que expliquem a importância da mulher na consolidação dos direitos e da representatividade da comunidade dentro da sociedade brasileira, para que crianças e adolescentes tornem-se futuros adultos conscientes dos perigos da violência contra a mulher. Somente assim, a plena harmonia social será alcançada.