A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 13/08/2019

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde, à educação e ao bem-estar social. Conquanto, os altos índices de casos de violência obstétrica no Brasil impossibilitam que uma parcela da população desfrute desse direito na prática. Nessa perspectiva, esse desafio deve ser superado de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.

A priori, é incontestável que a inoperância estatal esteja entre as causas do problema. Nesse prisma, centenas de mulheres estão traumatizadas devido à violência física e psicológica decorrentes de erros de procedimento tanto cirúrgicos quanto da efetiva aplicação da lei para a mulher puerpério, como evidencia o gráfico publicado pela Revista Época, onde cerca de 25% das brasileiras relatam ter sido desrespeitadas durante o parto.

Outrossim, a desinformação tanto das gestantes quanto dos profissionais da saúde a respeito dos direitos da grávida demonstram que o assunto também tangencia a esfera da educação, como também destacou o gráfico da Revista Época, mais de 70% das parturientes não tiveram acompanhante, fato que negligenciou o direito já adquirido e promulgado na época da publicação dos dados.

Diante desse cenário, é mister que o Estado amplie o número de propagandas a respeito dos direitos das grávidas, especialmente durante o parto, em horário nobre em rádios e televisões de rede aberta, com o intuito de informar a maioria das mulheres no final de suas gestações e aquelas que pretendem um dia engravidar. Além disso, é imprescindível que haja o acompanhamento pós-parto tanto pelos obstetras, quanto por uma rede organizada de profissionais da psicologia para tratar possíveis traumas decorrentes de um parto fora dos padrões estabelecidos por lei, promovendo a chance de uma maternidade mais segura a fim de uma sociedade integrada.