A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 09/08/2019
Desde o surgimento do Iluminismo na França,entende-se que uma sociedade só progride quando um indivíduo mobiliza-se pelo problema do outro.No entanto,quando se observa a violência obstétrica como reflexo da violência contra a mulher no Brasil,hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria ,mas não desejavelmente na prática. Se por um lado,a comunidade médica deveria dar amparo às gestantes,por outro, verificam-se maus-tratos e a omissão de informações por parte desses profissionais.Com efeito,evidencia-se a necessidade de promover melhorias no sistema político e educacional do país.
Deve-se pontuar,de início, que a questão constitucional e sua aplicação estão entre as causas do problema do tema. O filósofo grego Aristóteles propunha que a política deve ser utilizada de modo que,por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que ,no Brasil, a falta de punição para a crueldade de alguns médicos com mulheres grávidas rompe essa harmonia ,haja vista que qualquer ato ou intervenção que prejudique a grávida é considerado violência obstétrica se for praticado sem o seu consentimento explícito.
Outrossim, ainda há outro agravante mediante tal problemática.Sem dúvidas, a falta de conscientização social sobre priorizar o procedimento de cesárea ao invés do parto normal pelo seu baixo custo é um entrave para combater a violência obstétrica.Segundo o educador Rubem Alves:”não existe cultura sem educação”.Nessa perspectiva, a melhor maneira para informar sobre os direitos básicos de um cidadão é instruí-lo desde a infância.Sendo assim,as escolas têm um papel fundamental na formação social do indivíduo ao criar a ideia de que o procedimento de cesárea só é necessário se o parto normal não for possível. Em suma,a falta de informação faz com que os médicos convençam as mães a escolherem a cesárea por envolver uma duração e custo menores que o parto normal.
Destarte,infere-se que a violência obstétrica é uma atitude inaceitável e,como tal,deve ser sanada.Nesse âmbito,é mister que Poder Legislativo, com o apoio do Ministério da Saúde, tabule uma lei para que seja fornecido o prontuário médico a qualquer paciente, mesmo que ela não o solicite, para que ela possa verificar todo o procedimento médico feito e,se necessário,procurar a Defensoria Pública de seu município para denunciar qualquer tipo de violência na hora do parto. Ademais, é viável a implementação do projeto “Famílias nas Escolas”, pelo Ministério da Educação,no qual os alunos e seus responsáveis são convidados a participarem de palestras e workshops ministradas por psicólogos e professores que discutam o combate à agressão obstétrica.Em consequência disso, o tecido social se desprenderia de certos tabus ao incluir grande parte da comunidade nesse ideal de mudança cultural e alcançar,na prática, o ideal iluminista.