A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 16/08/2019
William Shakespeare declarou que: “Choramos ao nascer porque chegamos a esse imenso cenário de dementes.” Infelizmente, sua frase torna-se real diante de experiências de brasileiras que sofreram violência obstétrica, em que o belo momento de dar vida a outro ser transforma-se em trauma. O assunto, tratado como tabu pela sociedade, é agravado pela falta de conhecimento das parturientes e ausência de ética dos profissionais de saúde brasileiros.
Sabe-se que o parto é a parte mais delicada da gravidez, temido por muitas mulheres e, por isso, visto como censurado. Nesse caso, em que não há uma discussão geral sobre perigos e opções que a mãe tem, a opinião do médico é vista como verdade incontestável. Entretanto, sem o conhecimento da real situação, muitas parturientes são influenciadas, ou mesmo forçadas, a realizarem a cesárea, segundo relatos ao jornal El Pais. Ademais, no Brasil esse tipo de cirurgia corresponde a 40% do total de cesáreas, de acordo com a revista Folha.
Convém ressaltar que induzir uma gravidez que não é de risco a uma cirurgia vai contra a ética médica, uma vez que traz mais riscos à gestante e ao bebê. Além disso, mulheres que descreveram suas experiências de abuso também disseram que foram discriminadas, separadas dos acompanhantes e tiveram seus direitos humanos feridos. Sendo assim, os padrões profissionais de cuidado não são cumpridos e os praticantes, médicos ou enfermeiros, devem ser julgados de acordo com seu código de ética.
Portanto, conclui-se que a falta de humanidade durante o parto é um dilema que traumatiza muitas mulheres e precisa ser combatido. Para isso, é crucial que o Ministério da Saúde promova campanhas sobre o parto normal, por intermédio das mídias sociais, para possibilitar a circulação de informações concretas e aprofundadas sobre o tema. Outrossim, poderia criar um fórum online para disponibilizar respostas para dúvidas sobre como as denúncia do CRM e COREM, códigos de fiscalização de médicos e enfermeiros, devem ser feitas. Com isso, iria assegurar às gestantes um parto seguro e o choro dos bebês não seria mais de desespero, como disse Shakespeare.