A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 19/08/2019

Desde o período colonial o Brasil se estruturou com base em uma sociedade patriarcal, onde mulheres sempre foram inferiorizadas e privadas de seus direitos. Mais de 500 anos depois essa realidade ainda perdura e apesar das conquistas históricas, o sexo feminino continua sendo vítima de preconceito, desigualdade e violência. Um tipo de violência muito comum e recorrente é a obstétrica, onde um dos momentos mais importantes da vida da mulher se torna doloroso e traumático.

Durante séculos a principal função feminina foi a reprodução, onde o parto era cuidado exclusivo das parteiras. No final do século XIX com os avanços medicinais da Revolução Industrial, houve um declínio da prática parteira no Brasil. Todavia, o país sofre com um desvio de ética no ensino superior de medicina, formando profissionais que muitas vezes violam os direitos fundamentais da mulher gestante, fisicamente e/ou psicológicamente.

Parafraseando a escritora africana Chimamanda Adichie: algo que é visto e repetido com frequência se torna normal. Isso explica o fato de 25% das mulheres brasileiras afirmarem ter algum direito violado na gestação ou no parto, de acordo com uma pesquisa da Época. A partir dessa análise, fica explícita a urgência em debater seriamente a violência obstétrica, desromantizando a gravidez e a maternidade e depositando a devida seriedade sobre o assunto.

Levando em conta os fatos analisados, é preciso solucionar esse grave problema que atinge 1 em cada 4 mulheres brasileiras. O Ministério da Educação tem o papel de levar o tema às faculdades de medicina e enfermagem, humanizando esses futuros profissionais. Outrossim, o Ministério da Saúde tem que oferecer palestras aos profissionais e pacientes do Sistema Único de Saúde, informando a todos seus direitos e deveres. Desta forma promovendo a conscientização mútua da sociedade de que é preciso um parto humanizado, cumprindo o Artigo 6° da Constituição Federal que garante proteção a maternidade e a infância.