A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 20/08/2019
A sociedade brasileira na época colonial, imperial, ditatorial e republicana foi marcada por uma cultura patriarcal que promoveu uma intensa desigualdade de gênero. Hodiernamente, essa cultura patriarcal e desigual se enraizou na sociedade promovendo uma falsa sensação de superioridade masculina e inferioridade feminina, uma vez que o homem acredita que a mulher é sua propriedade. Assim, esse cenário acarreta a violência obstétrica como reflexo da violência contra a mulher no Brasil. Logo, torna-se necessário implementar medidas para combater essa realidade.
Nesse sentido, em análise do contexto retromencionado, dados da Fundação Perseu Abramo mostram que 25% das mães brasileiras sofrem algum tipo de agressão na fase de pré-natal ou no parto. Desse modo, esse cenário é provocado pela cultura patriarcal que inferioriza e objetifica a mulher, pela sensação de superioridade que a equipe médica sente e pela falta de empatia, uma vez que o parto virou uma indústria lucrativa e, isso é visto corriqueiramente, com procedimentos arriscados sem a real necessidade, como a cesariana para diminuir e acelerar o trabalho do parto ou como a manobra de kristeller, onde o fundo uterino é empurrado mecanicamente e violentamente, provocando fraturas nas costelas da parturiente e risco de vida ao recém-nascido. Sendo assim, combater essa situação é combater a violência obstétrica como reflexo da persistência da violência contra a mulher no Brasil.
Outrossim, é válido ressaltar que, conforme Jean Paul Sartre, a violência deve ser combatida: “a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”. De maneira análoga, a violência obstétrica na negação de alívio da dor durante o parto, na realização de procedimentos constrangedores sem consentimento e nas agressões físicas e psicológicas vão de encontro ao pensamento sartreano, isso porque esses abusos ocorrem sem que haja real necessidade. Com base nisso, as implicações da violência obstétrica, é prejudicial à ordem social e, por conseguinte, faz-se imprescindível, portanto, a dissolução dessa conjuntura.
Em suma, fica claro que é necessário implementar medidas para solucionar esse impasse. Dessa forma, seguindo a linha de pensamento do filósofo Lamennais, em que “Justiça é não fazer a outrem o que não queríamos que nos fizessem”, assim, caberá ao Ministério da Justiça em parceria com o da Saúde criar ouvidorias online, para denúncias de violência obstétrica, gerenciadas pela polícia civil local, para recolher, investigar e punir os agressores. Ademais, caberá à essa parceria efetuar campanhas instrucionais, nas mídias tradicionais e digitais, ministradas por psicólogos, com o fito de conscientizar a população sobre os malefícios da violência obstétrica, para combater essa realidade.