A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 26/08/2019
Desde o surgimento da vida na Terra, vários fenômenos e características interligam os diversos reinos e grupos animais em uma escala evolutiva. Todavia, o ato de gestar e de parir um novo indivíduo são processos que codificam e reúnem a humanidade, sendo intrínsecos à existência de todos. No entanto, o Brasil hodierno tem maculado esse sistema tão natural à vivência humana, posto que a violência obstétrica, fundamentada em agressões físicas, psicológicas e verbais, insurge no país de modo alarmante, porém ainda velado. Isso se dá, sobretudo, pelo abuso de poder da equipe obstétrica e por insuficientes orientações e debates sobre o tema, cenário danoso que precisa ser reformulado.
A esse respeito, segundo um estudo realizado em 2010, a violência obstétrica é realidade para 1 em cada 4 mulheres brasileiras. Esse panorama é reforçado, sobretudo, pela denominada “indústria do parto”, que, ao almejar a maximização dos lucros e a minimização do trabalho, trata o nascimento como mercadoria e uma simples finalização do processo reprodutivo feminino ao invés de um marco íntimo e único para a mãe e o bebê. Dessa forma, médicos e equipes obstétricas usam métodos invasivos, não consentidos e até mesmo desnecessários durante o parto de milhões de mulheres, conforme ilustra o documentário brasileiro " O renascimento do parto", que reúne relatos e experiências de profissionais da saúde, mães e famílias acerca da violência obstétrica no país, ainda pouco denunciada.
Ademais, de acordo com a nova resolução do Conselho Federal de Medicina, a mulher deve ter ao seu dispor toda a autonomia para decidir qual sua via de parto. Apesar disso, é comum que muitas mães recorram ao método que deveria ser exceção, o cesariano, por aliciamento médico ou mesmo por falta de informações e ponderações a respeito da existência de outros caminhos para dar à luz, como o parto normal e o humanizado. Assim, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o Brasil consagra-se como o segundo país que mais faz cesáreas no mundo, o que comprova a limitação informacional de boa parte das gestantes e da própria sociedade e contribui para a imposição da violência psicológica sobre o processo de escolha do parto dessas mulheres.
Portanto, com o fito de obliterar a prática da violência obstétrica no Brasil, é importante que o Ministério da Saúde ofereça maior assistência às gestantes. Desse modo, devem ser estabelecidos programas mensais de debates com psicólogos, doulas, enfermeiras e médicos em postos de saúde e maternidades, a fim de esclarecer e apresentar, através de palestras, as opções existentes de parto, os benefícios e riscos. Ademais, é vital que instituições formadoras de opinião, como as mídias, difundam a necessidade de denunciar abusos obstétricos, por meio de anúncios, filmes e séries que abordem casos reais e dados estatísticos sobre o tema no Brasil, a fim de estimular a denúncia pelo Disque 100.