A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 14/09/2019
Nas últimas décadas, houve um crescimento considerável, principalmente na América Latina, no número de cesarianas: procedimento médico utilizado para que as mulheres consigam dar à luz caso não consigam ou não optem pelo parto normal. Segundo um estudo recente realizado por pesquisadores de instituições do mundo todo, tendo como base a análise de dados de 169 países, o Brasil é o segundo país do ranking com maior taxa de cesáreas, o qual fica atrás apenas da República Dominicana, atual líder. Esses dados são alarmantes, pois de acordo com a OMS, (Organização Mundial da Saúde) o ideal é que o índice de cesáreas se mantenha entre 10 e 15%, taxa ultrapassada pelos brasileiros. Dentre os motivos que provocaram o cenário atual, pode-se citar a violência obstetrícia e a falta de suporte médico e psicólogo que deve ser oferecido à mãe durante o período de gestação até o momento do parto. Portanto, cabe ao Governo Federal adotar práticas e política se públicas que visem a diminuição dos altos índices de cesáreas e de agressões no país.
Primeiramente, pode-se definir violência obstetrícia como atos praticados pela equipe do hospital, que ofenda de forma física ou verbal as gestantes em trabalho de parto, como também, a recusa de atendimento. Infelizmente, cerca de 1/4 das brasileiras que deram à luz afirmam terem sido desrespeitadas na gestação ou no parto. Além disso, também é considerado crime induzir a mãe a adotar a cesariana, devido à dor provocada pelo parto. A escolha deve ser feita pela mulher, a qual deve receber explicações e conselhos dos profissionais da saúde, os quais devem orientá-la a escolher o parto normal e em último caso a cesária, pelo fato desta última ser uma cirurgia e portanto, apresentar mais riscos à mãe como maior perda de sangue, infecções e maior tempo de recuperação. Após o acesso às informações, a escolha deve ser respeitada, sem agressões físicas ou verbais.
Durante a gravidez, as mulheres devem acompanhar a saúde do bebê por meio dos exames de pré-natal para garantir o desenvolvimento saudável da criança e a proteção da mãe e do filho contra enfermidades, porém, segundo um programa do Ministério da Saúde divulgado em 2016, um terço dos bebês não tiveram pré-natal adequado. A partir disso, pode-se concluir que as mães não tiveram o amparo e a assistência necessária durante esse período.
Portanto, é necessário que o Governo Federal invista em hospitais e postos de saúde a fim de disponibilizar um serviço médico de qualidade a todas as brasileiras, as quais serão respeitadas e terão acesso aos exames de pré-natal. Ademais, as doulas devem estar presentes, por meio do Sistema Único de Saúde, pois fazem parte da equipe e atendem as necessidades físicas e emocionais da grávida, além de dar informações e técnicas que podem ajudar a facilitar a dor e o desconforto do parto.