A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 14/09/2019
A violência obstetrícia em debate no Brasil
. A violência obstétrica se manifesta de várias formas no ciclo de vida reprodutiva das mulheres. Em cada mulher insultada verbalmente porque sente dor no momento do parto ou quando não lhe oferecem analgesia. Na violência sexual sofrida em atendimento pré-natal ou em clínicas de reprodução assistida. No uso de fórceps, na proibição de doulas ou pessoas de confiança na sala de parto. Na cesárea como indicação médica para o parto seguro. A verdade é que a violência obstétrica é uma forma de desumanização das mulheres.
A violência obstétrica é, talvez, uma das faces mais ignoradas do regime moral de controle dos corpos pelo gênero. Expressões como “ser mãe é padecer no paraíso” ou “as mulheres são mais tolerantes à dor do que os homens” são formas cotidianas de justificar o sofrimento evitável como parte da natureza dos corpos. Não há destino biológico que justifique a violência obstétrica: ela é intencionalmente provocada nas mulheres ou negligentemente desencadeada pelo regime moral que as reduz ao processo reprodutivo como um dever e destino. Há muita dor no parto, mas não são as dores das contrações e da expulsão que transformam o rito de parir em um momento violento — a violência é causada pelo abuso do poder médico e pela alienação das mulheres do processo decisório.
Os dados sobre violência obstétrica são esparsos e frágeis, porém alarmantes. É ainda difícil descrever a magnitude do fenômeno e por, pelo menos, duas razões: as mulheres ignoram que suas experiências são de violência obstétrica, pois naturalizam suas vivências de sofrimento como um destino do corpo que se reproduz; os profissionais de saúde rejeitam o conceito, tomando-o como uma ofensa. Um estudo na Argentina estima que uma mulher a cada quatro dias é vítima de violência obstétrica; no Brasil, um estudo de 2010 encontrou que uma em cada quatro mulheres foi maltratada em trabalho de parto. Se o reconhecimento legal do termo é recente, a experiência se alonga no tempo para as mulheres — nossas avós e mães contam histórias de abusos no ciclo de gravidez, parto e puerpério.
Mulheres negras, indígenas e com deficiência estão entre as mais vulneráveis à violência obstétrica.
A cesária tem maiores riscos infecção, com lenta recuperação e custo elevado e parto normal não tem risco de infecção, com rápida recuperação e baixo custo.
A mulher deve ter poder de decidir sobre cesária ou normal, pois é o seu corpo e sua saúde em risco.