A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 17/09/2019

Conforme o filósofo britânico, John Mill, quando o assunto é o corpo e a mente, o ser humano é o soberano. Contudo, em diversas situações atuais, tal conceito não é aplicado, como por exemplo o momento do parto, desencadeando, assim, na violência obstétrica. Desse modo, deve-se ter conhecimento de que a falha no quesito informativo e a escassa empatia para com as vítimas intensificam a problemática.

Nesse sentido, para que haja um parto no Brasil é necessária a presença de um médico especializado na área, diferente da realidade da Europa, onde enfermeiras treinadas têm a autorização para realizar. Tal circunstância interfere na disponibilidade médica e na temática financeira, visto que, a demora de um parto cesárea pode durar até 20 horas, comparado a 45 minutos de uma cesárea. Além disso, o lucro retido pelo médico fora da situação normal é consideravelmente maior, inclusive pelo fato de que, na maioria das vezes, as mulheres recorrem à condição particular. Isso faz com que, segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil esteja em segundo lugar no ranking mundial de maior porcentagem de cesáreas, tendo 56% dos casos, mesmo que a OMS coloque como ideal 15%. Outro empecilho enfrentado é a imperfeição em relação à dissipação da informação. Muitas mães submetem-se ao processo cirúrgico sem conhecimento dos perigos enfrentados, como o índice de morte maternal,  que a cada 1000 partos, é de 20,8% em cesáreas, contra 1,73% em normais.

Outrossim, o apoio com a mulher grávida é indispensável, juntamente da confiança depositada em parentes e médicos. Todavia, muitas mulheres não desfrutam de tais auxílios, tornando um momento ainda mais complexo. As gestantes enfrentam situações desumanas, com um elevado índice de desrespeito, como a negação de remédio, por conta dos médicos não acreditarem na jovem, circunstância vivida por 73% das cidadãs, conforme a Época. Além disso, a dificuldade aumenta quando a mãe apresenta alguma deficiência, como o caso da Joyce Guerra, apresentado pela Época, uma mulher cega que sofreu uma cesárea sem consentimento do que estava ocorrendo com seu corpo.

Portanto, medidas são necessárias para amenizar o impasse. Entretanto, não haverá melhoras caso o Mistério da Saúde, juntamente da mídia, não desenvolver campanhas e cursos que demonstrem os riscos que a cesárea proporciona, além dos seus direitos. De mesmo modo, o Governo Federal deve focar em proporcionar a especialização em enfermeiras, assim, reduzindo custos e espera. Analogamente, a Justiça Federal deve proporcionar uma fiscalização médica mais eficiente, com punições para hospitais e planos de saúde com grandes índices de cesáreas e reclamação de casos inaceitáveis relacionados a condições de saúde e respeito.