A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 21/09/2019

Simone de Beauvoir, filósofa existencialista, afirmou que “A mulher deve assumir a liberdade de fazer suas próprias escolhas”, todavia, essa atitude é dificultada quando a mulher está em condições vulneráveis, prestes à dar a luz. A violência obstétrica é uma realidade que muitas futuras mães vivenciam, e o momento que deveria ser de felicidade, torna-se uma experiência torturante.

Em primeiro plano, ressalta-se que a agressão obstétrica ocorre tanto em parto normal quanto na cesárea, ou seja, ocorre desde cortes entre a vagina e o ânus para ampliar o canal do parto, até a realização do procedimento cirúrgico sem necessidade. Por transformar o processo natural em cirurgia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) só recomenda a cesárea em casos específicos, como deslocamento de placenta, porém, alguns obstetras a realizam indevidamente devido à sua praticidade.

Ademais, é necessário frisar que atos como esse remete à época em que a figura feminina não tinha direito algum e era tratada como objeto. Paralelo à isso, um exemplo claro é o famoso “ponto do marido”, que consiste em mais suturas, após o parto, com o intuito de “estreitar” a vagina e favorecer o desejo sexual do marido, tirando totalmente a autonomia da mulher sobre o próprio corpo.

Evidencia-se, portanto, que a violência obstetrícia é um obstáculo para a consolidação da saúde pública e privada no país. Logo, é imprescindível que o Ministério da Saúde crie medidas para a realização de punições severas e efetivas à quem pratica tal crime, como cumprimento de penas, a fim de diminuir suas ocorrências. É de suma importância, também, que a mulher denuncie qualquer agressão que tenha sofrido durante o trabalho de parto, seja psicológica, sexual ou física, pois, somente assim, será possível lutar pelos direitos femininos e promover saúde de qualidade no Brasil.