A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 23/09/2019

A pintura “Hospital Henry Ford”, de Frida Kahlo, representa as tentativas frustadas da autora em ter filhos. Nesse contexto, observa-se que da mesma forma que Frida, o desejo das mulheres de serem genitoras é constante na contemporaneidade brasileira. No entanto, muitas vezes, existem obstáculos que ainda impedem esse direito de tornar-se realidade: a intolerância e a falta de fiscalização; a soma destes fatores corrobora para a formação da violência obstetrícia na atual conjuntura. Nessa situação,hão de ser ponderados tais motivos, a fim de que se possa liquidá-los de maneira competente.

Em primeiro lugar, apesar das conquistas feministas, é necessário destacar que o gênero feminino ainda sofre com casos de preconceito na atual conjuntura. Nessa perspectiva, a filósofa Simone Beauvoir, no livro Segundo Sexo, mostra que não há motivos para as mulheres serem tratadas como inferiores aos homens, visto que possuem as mesmas potencialidades. Nesse sentido, a artista Frida Kahlo também procurou representar nas suas obras a figura feminina, a exemplo de questões de aborto que eram novidade no âmbito artístico. À vista disso, conforme o Jornal Globo, nota-se a limitação dessas conquistas feministas pelo fato de 25% das gestantes sentirem-se ofendidas durante o trabalho de parto. Desse modo, o atual panorama contribui expressivamente para o aumento da sensação de impunidade, levando a exploração dos direitos femininos por conta da falta de fiscalização.

Nessas circunstâncias, é evidente que o preconceito praticado no gênero feminino tem causas na ausência de segurança. Em face disso, o filósofo Foucault, nos estudos da autodisciplina, demonstra que a presença dos meios de inspeção contribui para regular o comportamento do indivíduo de acordo com as normas impostas na sociedade, a exemplo das câmeras. Nessa lógica, segundo o Jornal Época, cerca de 36% das grávidas receberam medicamento que deveria ser utilizado em casos esporádicos.  Dessa forma, a falta de vigilância possibilita que os direitos do gênero feminino sejam limitados e, consequentemente, gerem riscos para a vida das gestantes.

Destarte, é impostergável medidas para tornar realidade os estudos da filósofa Simone Beauvoir. O governo deve criar campanhas nas redes sociais, de modo a demonstrar diálogos com profissionais da ONU, com o objetivo de tornar visível os direitos assegurados pelas mulheres à sociedade. Ademais, o Ministério da Mulher deve idealizar canais de comunicação, de maneira a possibilitar o contato direto com os indivíduos do gênero feminino que sofreram casos de preconceito, a fim de garantir a fiscalização e o equilíbrio de privilégios entre os gêneros. Somente assim, a sociedade e o estado poderão enfrentar a violência obstetrícia para constituir uma nação justa e igualitária entre mulheres e homens.