A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 24/09/2019

Promulgada pela ONU, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. No entanto, a violência obstretrícia no Brasil impede que parte da população desfrute desses direitos na prática; não só pela precariedade do sistema de saúde, mas também pela falta de empatia dos profissionais da área. Nesse sentido, é evidente a urgência da promoção de melhorias que busquem cessar a problemática.

Primordialmente, a precariedade da saúde brasileira evidencia que essa área não é prioridade do Governo. Segundo G1, a falta de verbas destinadas à insumos, instrumentos e médicos disponíveis impulsiona a superlotação nos hospitais e até o fechamento de centenas deles. Nesse contexto, a humanização do parto e os cuidados a gestante são revertidos à maus tratos, com consequências que podem afetar a mulher e a criança, podendo citar também o aumento considerável de cesarianas já que o procedimento é mais rápido e automático para os médicos.

Além disso, a carência de empatia dos profissionais atua como impulsionadora do problema, evidenciando o extremo individualismo amplamente discutido no livro Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman. O documentário exibido pelo Profissão Repórter “Violência Obstétrica”, retrata justamente o intenso descaso com dezenas de mulheres na hora do parto, incluindo agressões verbais, físicas e o impedimento a acompanhante durante o nascimento. Essa junção de elementos ocasionou a morte de duas crianças após o parto. Embora a realidade seja assustadora, esse é o cenário do Brasil em pleno século XXI.

Urge, portanto, que medidas devem ser aplicadas para a resolução do problema. É dever do Ministério da Saúde destinar mais verbas aos hospitais e tornar isso uma prioridade do Estado, a fim de acabar com a precariedade do sistema de saúde, melhorando a experiência de milhares de mulheres em relação ao parto e acabando com a legitimação da violência obstetrícia no país. Ademais, o Ministério da Educação deve promover palestras nas faculdades de medicina objetivando a humanização dos profissionais, para que o problema atual não se propague às próximas gerações. Só assim, os direitos previstos pela ONU serão desfrutados por todos, agora na prática.