A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 17/10/2019

De acordo com Jonh Stuart Mill, filósofo britânico, “o indivíduo é soberano sobre seu corpo e sua mente”. Contudo, esse pensamento não é posto em prática nos hospitais brasileiros, haja vista a possibilidade de violência obstétrica a que a mulher grávida está sujeita. Com isso, seja pela ausência de informações, seja pela má conduta dos profissionais da saúde, surge a necessidade de intervir na problemática, que persiste intrinsecamente ligada a realidade do país.]

Vale ressaltar, a priori, que o hiato do conhecimento de direitos está entre as causas da agrura. Nesse sentido, já dizia Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Sob esse viés, é notável que pela falta de domínio sobre o assunto, gestantes tornam-se vítimas de maus tratos, ora verbal e física, ora por decisões de médicos e enfermeiros, como a de induzir a mulher a fazer cesariana, submetendo-a, a procedimentos dolorosos e desnecessários sem o consentimento dela. Logo, as próprias acreditam ser normal esse fato corriqueiro, perpetuando-se o dilema; nesse cenário, a soberania sobre o corpo e  mente de Jonh Stuart não existe.

É notório, a posteriori, que a mercantilização da obstetrícia é o obstáculo que impede o impasse se ser resolvido. Uma vez que, de acordo com o jornal Justificando, clínicas e hospitais passaram a ter “clientes” ao invés de pacientes. Sendo assim, essa publicação justifica a epidemia de cesarianas na nação, que detém a segunda maior taxa do planeta, em razão desse modo de dar a luz ser mais vantajoso para o obstetra, pois ocorre com data e hora marcada e dura potencialmente menos tempo que um parto natural, assim, o profissional faz mais cirurgias e é melhor recompensado financeiramente - tornando o ato de conceber uma “commodity’’ a ser explorada - criando o ciclo da indústria do parto. Por isso, mudanças na conduta dos profissionais citados é fundamental para a contenção do problema.

Portanto, para que a ausência de informação encerre-se e a mudança de comportamento dos profissionais ocorra, é necessário que o Ministério da Saúde em parceria com a Mídia, criem campanhas educativas que tratem dos benefícios do parto natural, com o intuito de estimular as gestantes a além de  buscarem informações  sobre seus direitos, a refletirem sobre os riscos corridos por mulheres que sofram cesarianas descabidas; por intermédio da abordagem da temática nas redes sociais, em cenas de novelas e propagandas, já que esse meio é substancial para a propagação de notícias e comunicação em massa -outrossim, influencia e determina tendências, age como a verdadeira “força social” de Durkheim-. Ademais, os planos de saúde devem diminuir os incentivos financeiros para a realização de cirurgias obstétricas. Dessa forma, poder-se-á mitigar essa mazela e a soberania do corpo e da mente será posta em prática.