A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 12/02/2020

Sócrates, filósofo antigo, valorizava tanto o significado da profissão de parteira de sua mãe que colocou o nome do seu método como “maiêutica” que significa “parir”. Todavia, essa valorização não acontece no Brasil, pois, de acordo com o documentário do “Profissão Repórter” de 2018 sobre obstetrícia,  é comum a desumanização dos partos canarinhos. Nesse contexto, dois aspectos se destacam: a mercantilização da medicina e a lacuna no debate sobre esse assunto. Enfim, medidas de combate a essa problemática são necessárias.

Diante desse cenário, cabe elucidar que comerciar a medicina traz enormes prejuízos às parturientes. Nesse sentido, consoante o documentário supracitado, o número de cesarianas - procedimento mais agressivo e recomendado somente em últimas instâncias - aumentou no Brasil por ser menos desgastante para o médico e mais rápido que o parto normal, possibilitando mais atendimentos. Outrossim, práticas como a indução do parto - fazer força sob a barriga da mulher- e a episiotomia - mutilação genital - foram condenadas pela OMS, não obstante ainda são utilizadas por vários profissionais brasileiros. Dessa forma, é nítida a violação do corpo feminino durante a realização do parto.

Além disso, vale ressaltar que a violência obstétrica não é discutida como um tema social importante. Nessa perspectiva, é incomum que se realize palestras e debates sobre o tema quando eles não são organizados por ONGs. Desse modo, sem ouvir sobre o assunto, muitas mulheres sofrem esse tipo de hostilidade e não sabem reconhecê-la ou, ainda, denunciá-la.

Portanto, observa-se que a violência obstetrícia é comum no Brasil e deve ser mitigada. Por conseguinte, é imperioso que o Ministério da Educação atue na difusão do conhecimento tangente à essa questão, por meio da introdução da Educação Sexual na Base Nacional Comum Curricular, haja vista que tal ensino abrange a gravidez, a fim de que os indivíduos consigam não só identificar a violência, mas também fazer denúncias. Assim, o parto no Brasil seguiria o viés de valorização socrático.