A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 11/04/2020
No tocante à moral e à ética na vida selvagem, é notório uma força coercitiva que outorga proteção tanto às mães, quanto aos descendentes, de forma a consolidar a permanência da espécie ao máximo. Contudo, no Brasil, observa-se uma nefasta mazela dissonante desse código coercitivo de sobrevivência: a violência obstétrica. Nesse contexto, esse tema toma espaço em razão, principalmente, da “violência simbólica”, a qual incita reflexões acerca da desvalorização da mulher.
De início, cabe ressaltar que, objetivando entender a “violência simbólica”, é imperioso compreender seu prisma sociológico. Para tanto, é oportuno evocar Pierre Bourdieu, responsável por tal teoria, o qual preconizava que, na sociedade, manifestam-se relações hierárquicas de poder mediante “capitais”, as quais, intrinsecamente, dependem da categoria deles. Com isso, pode-se afirmar que a violência obstetrícia é resultado da delegação de poder, por intermédio do “capital social”, aos médicos, o que, segundo o pensador, é tanto inerente às pessoas, quanto ao senso comum, visto o “status” sobredourado que circunda a medicina. Logo, a materialização dessa conjuntura é o abuso ora psicológico, ora físico, o que foi elucidado pelo longa-metragem da Netflix “O Poço”. Por ele, dentre outros propósitos, estimula-se o pensamento crítico sobre o escalonamento de poder atual e se alude à problemática, haja vista que, nesse “poço” de violência simbólica, os pacientes estão abaixo dos obstetras.
Por conseguinte, enquanto esse panorama perdurar, solidifica-se a desvalorização feminina no âmbito da saúde e das leis. Isso porquanto, tendo em vista o arcabouço legal atrelado à gestação no país, as mulheres, especificamente, têm seus direitos negligenciados quando são desrespeitadas, e o Estado, por sua vez, é omisso e, consequentemente, coautor desse problema. Isso foi tratado pelo escritor Gilberto D. em seu livro “O Cidadão de Papel”, no qual se evidencia o papel antagônico e fortemente teórico das leis no Brasil, o que, nesse quadro, ressalta o dolo dos médicos, os quais, controversamente, possuem pleno conhecimento acerca da ética medicinal.
Portanto, visto os efeitos do problema, infere-se que é necessário atitudes frente à violência obstétrica no país a fim de dissolvê-la. Para tanto, compete ao Ministério da Saúde, enquanto instância, nesse viés, legal máxima, o dever de criar canais de comunicação e de denúncia no que concerne à prática dessa mazela, incentivando a exposição dos praticantes dessa, por meio de políticas públicas e da divulgação “on-line” e midiática, a fim de eliminar a violência obstétrica da nação. Somente dessarte, observar-se-iam mulheres que derrubam tais preceitos de Bourdieu e que consolidam a espécie humana sem entraves, de modo a gozar de seus direitos.