A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 13/04/2020

O documentário “Renascimento do Parto” aborda a realidade das mulheres brasileiras que sofrem com procedimentos inadequados durante a gravidez ou no momento do parto. Todavia, o longa demonstra fielmente o horror da cotidiana violência obstétrica na vida das brasileiras, um transtorno grave, que, no entanto, não tem sido abordado com devida notabilidade. Assim, é necessário compreender como tal violência ocorre e que sua recorrência não punida perpetua o percalço no Brasil.

Por certo, é ampla a listagem de condutas que configuram a violência obstétrica. Por conseguinte, constituem tal barbárie atos como: negar direitos previstos na lei (como a concessão de acompanhante); realizar práticas sem o consentimento da paciente (como a aplicação de ocitocina, por exemplo, hormônio que acelera as contrações,logo, a dor) e agir para com ela de modo agressivo e indiferente (recriminar o choro, grito e ironizar sua dor). Ademais, a Revista Época, divulgou em 2018 que 25% das brasileiras que deram à luz sofreram coma hostilidade de alguma metodologia das expostas acima. Entretanto, muitas mulheres não discernem a violência obstétrica, dificultado sua identificação e correção.

Outrossim, é comum presenciar depoimentos de mulheres que não tiveram sua vontade respeitada por profissionais de saúde durante a gestação. Porquanto, é naturalizado no país perdurar em procedimentos antigos e em desacordo com a leis vigentes, criou-se um modelo de “parto desumano” que ocorre repetidas vezes sem importar-se com o bem estar das grávidas. Contudo, tal comportamento é explicado pela filósofa alemã Hannah Arendt que o intitula de “banalização do mal”, visto que tornar-se normal praticar tais procedimentos retrógrados, afinal não há mecanismos de identificação ou punição, trivializando tal entrave. Em suma, a ausência da condenação desses atos prolonga o sofrimento de inúmeras mulheres.

Diante do exposto, cabe à Mídia, cuja função é democratizar o acesso às informações, expor esclarecimentos que evidenciam o conceito de violência obstétrica e o que consta na Constituição. Isso deve decorrer por meio de campanhas publicitárias, a fim de consciencializar as mulheres sobre seus direitos e permitir que as mesmas reivindique-os . Além disso, o Poder Legislativo precisa propor leis que visem punir severamente profissionais da saúde que pratiquem o crime da agressão. Somente assim, o cenário mostrado em “Renascimento do Parto” será revertido e a essência do parto no Brasil renascerá.