A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 30/04/2020
A substituição da figura da parteira pelo médico transformou o parto de um evento familiar e doméstico para um acontecimento cirúrgico e hospitalar.Na hodiernidade,as mortalidades materna e infantil caíram muito com o avanço da medicina junto a essas mudanças,entretanto,a violência obstetrícia também entrou em cena no Brasil,junto com o sequestro do protagonismo da mulher e a utilização do mesmo como forma de negócio.
A priori,o corpo feminino é perfeito,porém,uma sociedade capitalista está convencendo gestantes de serem incapazes de parir naturalmente ou tomar decisões.Como exemplo,no terceiro filme da trilogia brasileira “O Renascimento do Parto”,uma mãe relata como seu parto,sem a devida atenção médica e sem permissão de palpite ou escolha,reflete na maneira como ela atua hoje com seu filho,acreditando que não vai dar conta dele e estando sempre insegura;já outra,foi enganada por sua obstetra,que fez um procedimento de indução sem avisá-la.Todavia,fatos como estes se tornaram comuns,o que é lamentável.
A posteriori,no primeiro filme da obra citada posteriormente,mostrou que a indústria da cesária é inclusive alimentada por fraudes.Uma das entrevistadas,Carmen Campbell,conta como seu obstetra a mandou para um ultrassonografista que diagnosticou que o bebê possuía três voltas do cordão umbilical no pescoço,no entanto,ela percebeu que a imagem no ultrassom não era de sua filha e ao consultar em outro profissional ela percebeu que,de fato,a criança não tinha nada.Contudo,cesarianas agendadas,sem indicação real,têm como efeito colateral a depressão pós-parto e o maior risco de hemorragia.
Em suma,é necessário que o governo,em parceria com o poder legislativo,elabore leis mais rigorosas que assegurem os direitos da mulher sobre o próprio corpo,com o auxílio da mídia,principal difusora de informações,para encorajar gestantes a optarem pelo parto natural ou humanizado e a identificar abusos e ultrajes,com o intuito de devolver o protagonismo feminino e diminuir a violência obstétrica.