A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 07/05/2020
Com muita frequência, na literatura, nos filmes, novelas e diversas dramaturgias os autores apresentam cenas de parto como uma escolha certa para gerar emoção em seus públicos. Entretanto, na realidade, nem sempre tal evento envolve apenas comoção e alegria. Isso porque, infelizmente, a violência obstétrica tem sido comumente vivenciada por muitas mulheres, tornando essa experiência, que gera tantas expetativas, traumática. Esse problema tem motivações culturais e cresce com a negligência estatal, fazendo, então, necessária a ampliação de seu debate na sociedade.
Em primeiro lugar, é importante entender como a cultura e a desinformação são causas notórias dessa problemática. Apesar de, na maior parte da história, os humanos gerarem filhos naturalmente e sem interferências artificiais, há alguns anos, é presente, em grande parte da sociedade, a ideia de que todo parto necessita de intervenção médica. Com isso, a mãe, que deveria ser a protagonista desse processo, passa a perder a sua autonomia e lhe é tirado, muitas vezes, o direito de escolha na condução do parto, o que ocorre tanto por uma confiança, que pode ser prejudicial, se exagerada, na figura do médico, quanto por profissionais desqualificados agindo de forma desrespeitosa. A partir disso, a violência se da quando, por exemplo, impede-se um acompanhante, mesmo sendo previsto em lei, induz-se a cesariana, sem ser necessário e opta-se por métodos dolorosos, invasivos e humilhantes, causando danos físicos e mentais à mulher e ao filho.
Ademais, há um desinteresse das autoridades sobre o assunto que agrava ainda mais a situação. A esse respeito deve-se relacionar a falta de políticas públicas para mudança desse quadro ao fato de que os partos “humanizados”, em que prioriza-se a mínima intervenção médica, demandam mais tempo, uma estrutura e equipe maiores e muitas vezes não geram tantos lucros quanto os realizados de forma industrial, rápida e sem cuidado. Além disso, pela ilusão de ser um assunto restrito a um nicho determinado, não se amplia o debate e os hospitais, em sua maioria, persistem em técnicas tradicionais, sem buscar se reinventar em benefício das mulheres e de toda a população.
Portanto, medidas são necessárias para que os casos de violência obstétrica sejam mitigados no Brasil. Para tanto, o Ministério da Saúde deve investir na capacitação de hospitais e equipes médicas para que abandonem antigas práticas desrespeitosas e desnecessárias e priorizem o parto humanizado. Isso deve ser feito por meio da inspiração em casos de sucesso, como o Instituto de Saúde Epídio de Almeida, na Paraíba, e da implementação em toda residência médica de obstetrícia do domínio desse tipo de parto. Assim, haverá mais respeito à naturalidade desse processo e os partos reais poderão se aproximar dos representados na ficção.