A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 08/05/2020

Segundo o obstetra francês Michel Odent, para mudar o mundo é preciso, antes, mudar a forma de nascer. Entretanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o médico prega, uma vez que a violência obstétrica no Brasil persiste, dificultando a concretização do planos de Odent. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de políticas públicas, quanto de um paradigma médico imposto dentro da área da saúde.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a violência obstétrica deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, as políticas públicas desencadeadas pelo Estado, não são suficientes e não garantem um mínimo de estrutura para que essas gestantes tenham uma assistência de qualidade, dificultando, assim, que a mulher tenha um parto saudável e humanizado.

Ademais, é imperativo ressaltar o paradigma médico imposto na área da saúde como promotor do problema. De acordo com estudos coordenados por pesquisadores da Fiocruz, mais de 50% dos nascimentos são feitos por meio cirúrgico, de forma desnecessária. Partindo desse pressuposto, vê-se que há um padrão médico na escolha do parto, na maioria das vezes, sem o consentimento da gestante que futuramente sofrerá com sequelas físicas e psicológicas de uma cesárea involuntária.

Urge, portanto, medidas necessárias para minimizar os efeitos desses impasses. Cabe, então, ao Ministério da Saúde, expandir polos para atendimento durante o pré-natal e novos leitos nas maternidades, com o fito de garantir uma mínima estrutura para que essas gestantes tenham uma assistência de qualidade. Ademais, associado às universidades e mídias, deve informatizar, por intermédio de campanhas, a importância dos direitos das mulheres quando gestantes, a fim de que todas elas possam desfrutar de um parto saudável e humanizado. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da violência obstétrica, e a coletividade alcançará a mudança no mundo que Michel Odent cogita.